Sentado em uma cadeira,
Me sinto encarando um amigo.
Seu nome? Não me lembro..
Meu olhar já não reconhece o seu.
Há um silêncio na ponta da caneta,
Difícil saber se nasceu dos papéis
Ou se sempre habitou em mim.
Procuro por uma palavra...
Talvez ela tenha procurado por mim também.
Talvez cruzamos um pelo outro,
Tipo linhas de metrô.
Um tumulto que me invade,
Mesmo imóvel, as palavras se movem.
Eu sinto, mas não vejo um caminho...
Como poderia chegar até elas?
Talvez eu esteja perdido,
Me perco entre o que não consigo escrever,
Aquilo que já não me arrisco sentir.
Quanto mais escrevo,
Menos palavras existem...
Quanto mais procuro,
Menos lugares há.
Cada verso interrompido,
É um folha a rancar...
Em cada rachadura,
Um rosto que poderia ser o meu.
Ideias, sentimentos e emoções,
Todos fugiram de mim...
Talvez pássaros assustado?
Não sei qual fugiu de mim primeiro.
Enfim, permaneço aqui...
Esperando a palavra que me salvará.
Talvez ela também tenha se perdido
Tentando procurar o seu escritor,
O mesmo que se perdeu em seus poemas.