Eu vivo andando
como se estivesse sempre à procura de algo.
Sempre mais à frente.
Longe do agora.
Como se não existissem
tempo,
etapas,
processos.
Sempre numa busca cansavél
Que me deixa exausta,
frustrada
por não conseguir
o que nem sei
Mas que busco
apressadamente.
E, no fim,
não vivo o bastante.
Paro tantas vezes
pra ver se me lembro
como respirar
Porque esqueço.
Me pergunto
onde vou chegar.
Porque ainda não cheguei
a lugar nenhum
E tenho a sensação
de que nem saí
do mesmo lugar.
Eu sei muito bem
que quem comanda tudo
é o tempo.
E que de nada adianta
querer lutar contra isso.
Conheço muitas coisas.
Já escrevi
sobre tantas
Mas acabo
esquecendo
Ou ignorando.
Por estar sempre correndo nessa procura
de algo que nem sei o nome,
Nem o que é.
No passo apressado,
levo uma promessa muda, feita no desespero:
de que,
quando chegar
nesse lugar,
finalmente
vou descansar.
Descansar
dessa procura.
Acreditando que,
quando conseguir,
vou ter a certeza
de que cheguei por ser capaz de alguma coisa.
E talvez
só assim
eu descanse
de lutar contra mim
Descanse
de mim.
Mas não sei
se esse lugar existe
Nem esse algo
que ando,
com tanta pressa,
querendo encontrar.
Poema autoral