Durante muito tempo, fui vista como uma pessoa inteligente e bonita, dentro dos padrões convencionais de beleza. Talvez por isso eu tenha aprendido cedo que ser admirada e ser verdadeiramente amada eram coisas diferentes.
Dividi as pessoas que fizeram parte da minha vida em dois grupos.
O primeiro era formado pelos amigos de festa. Quando minha dependência apareceu e minha vida começou a desmoronar, muitos deles me difamaram, me humilharam, me ignoraram e me julgaram. Quase nenhum chegou até mim para oferecer uma saída, um conselho ou simplesmente amizade. Alguns, inclusive, acabaram me empurrando ainda mais para outros vícios.
O segundo grupo era formado, em grande parte, por amigos da infância que eram cristãos. Foram essas pessoas que permaneceram. Ajudaram-me com dívidas, levaram alimentos, deram conselhos, fizeram visitas, oraram por mim e, principalmente, não desapareceram quando eu deixei de ser a pessoa que eles conheciam.
Foi nesse contraste que começou meu interesse por Jesus Cristo.
Eu não fui procurar um milagre. Não fui em busca de uma cura instantânea para aquilo que havia se tornado minha vida. Fui tentar compreender uma coisa que me intrigava: por que aqueles cristãos continuavam mantendo seus laços comigo mesmo quando eu estava perdida?
Eu estava em pecado, segundo a fé que eles professavam. Estava doente, errando, decepcionando pessoas e muitas vezes nem conseguia cuidar de mim mesma. Ainda assim, meus amigos verdadeiros continuavam aparecendo.
Foi então que comecei a perceber que talvez a essência do cristianismo que eu procurava entender não estivesse apenas nas palavras que eles diziam, mas na maneira como permaneciam.
Eles não precisaram aprovar minhas escolhas para não me abandonar.
E talvez tenha sido essa permanência, mais do que qualquer discurso, que me fez querer conhecer Jesus.