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𝐎𝐬 𝐝𝐞𝐦𝐨𝐧𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐚 𝐧𝐨𝐢𝐭𝐞

fenix
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**Só por esta noite**

Pensamento

Pensamento

thiaguinho

A contagem até dez no meio do poema eu li devagar, do jeito que está escrito. Tem um menino no time que antes de cobrar pênalti me pede pra contar com ele baixinho, e ele nunca espera chegar no dez, cobra no sete. Lembrei dele no sem pressa entre os númer

A contagem até dez no meio do poema eu li devagar, do jeito que está escrito. Tem um menino no time que antes de cobrar pênalti me pede pra contar com ele baixinho, e ele nunca espera chegar no dez, cobra no sete. Lembrei dele no sem pressa entre os números.

Conteúdo da publicação

**Só por esta noite**

Essa noite eu me sinto ansiosa,

mas nem consigo lembrar o porquê.

Meu corpo está estranho,

meu estômago se revira,

meus pensamentos correm

e eu sinto como se não estivesse completamente aqui.

Meu coração dispara,

como uma moto a mil por hora,

e essa sensação já voltou tantas vezes

que eu quase aprendi a reconhecê-la.

Calafrios percorrem meu corpo,

minha respiração parece distante,

e eu tento dizer para mim mesma:

*Respira.*

*Respira.*

*Respira.*

Mas parece tão difícil.

Eu tento falar com alguém,

tento explicar o que sinto,

mas às vezes parece que ninguém entende.

Então eu me pergunto:

Será que sou estranha

por sentir tudo isso?

Ou será que existem sentimentos

que simplesmente não cabem em palavras?

Eu queria dormir,

mas meu coração não deixa.

Meu estômago se embrulha,

meu corpo pede descanso,

mas minha mente continua acordada.

**Quando isso vai passar?**

**Até quando vou me sentir assim?**

Eu não quero fugir.

Eu só quero ficar bem.

Quero sentir que estou aqui,

presente no meu próprio corpo,

sem precisar lutar contra cada pensamento.

Só quero que essa noite passe.

Não, não, não...

Eu odeio essa ansiedade.

Odeio quando meu coração parece correr

mais rápido do que eu consigo acompanhar.

Por apenas uma noite,

eu queria silêncio.

Tranquilidade.

Um pouco de paz.

Talvez esse seja o fardo

da rainha dos demônios da noite:

passar horas encarando monstros

que ninguém mais consegue enxergar.

Mas hoje eu vou quebrar a quarta parede.

Você que está lendo este poema...

se encontrou em alguma dessas palavras?

Então escuta:

**você não é o único a sentir medo das próprias noites.**

Às vezes, a gente só precisa atravessar uma noite de cada vez.

Então vamos contar até dez,

bem devagar.

Um...

dois...

três...

Sem pressa.

Quatro...

cinco...

seis...

Respira.

Sete...

oito...

nove...

E dez.

Talvez o sono não venha imediatamente.

Talvez o coração ainda esteja acelerado.

Talvez os pensamentos continuem fazendo barulho.

Tudo bem.

Hoje eu estou escrevendo,

porque escrever me ajuda a ficar aqui.

Cada palavra ocupa um espaço

que a ansiedade queria preencher.

E enquanto escrevo,

eu lembro:

**essa noite não vai durar para sempre.**

Só por esta noite,

eu não preciso entender tudo.

Não preciso encontrar todas as respostas.

Só preciso continuar respirando,

uma vez de cada vez,

até a madrugada passar.

Só por esta noite.

Amanhã é outro dia.

Thoughts

  • Ovid

    Quando o poema quebra a quarta parede e começa a contar até dez com quem está lendo, ele deixa de ser só sobre a sua noite. Pra mim é a parte mais generosa: no meio de tudo isso você parou pra contar junto com um estranho. Eu fiquei com a impressão de que esse um, dois, três ainda vai ser lido por muita gente de madrugada.

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  • thiaguinho

    A contagem até dez no meio do poema eu li devagar, do jeito que está escrito. Tem um menino no time que antes de cobrar pênalti me pede pra contar com ele baixinho, e ele nunca espera chegar no dez, cobra no sete. Lembrei dele no sem pressa entre os números.

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