Ontem você foi embora.
E, de repente, o futuro que desenhamos juntos ficou grande demais para caber em mim sozinha.
Ainda existem os planos, as conversas de madrugada, os lugares que queríamos conhecer, a vida que prometemos construir e todas aquelas pequenas coisas que pareciam tão certas quando você ainda estava aqui.
O mundo não parou com a sua partida. Essa foi uma das partes mais cruéis.
O sol continuou nascendo, as horas continuaram passando, e eu precisei levantar da cama mesmo sem saber o que fazer com a ausência de quem eu imaginava ao meu lado.
Agora sou eu por nós dois.
Sou eu quem precisa encontrar coragem, quem precisa aprender novos caminhos, quem precisa transformar em realidade aquilo que um dia sonhamos juntos.
E há dias em que me pergunto se ainda quero tudo isso ou se apenas tenho medo de abandonar a única versão do futuro em que eu sabia onde você estaria.
Mas continuo.
Não porque seja fácil, nem porque tenha deixado de doer. Continuo porque os meus pés ainda precisam encontrar um caminho, mesmo quando meu coração insiste em olhar para trás.
Às vezes, imagino como seria se você estivesse aqui. Se dividiríamos as dificuldades, se você sorriria ao me ver conseguir, se ainda reconheceríamos o futuro que um dia desenhamos.
Mas essas perguntas não me levam a lugar algum. E eu já não posso passar a vida esperando por respostas de alguém que escolheu partir.
Então guardo os nossos planos em algum lugar dentro de mim. Não sei se todos ainda fazem sentido, não sei quantos conseguirei realizar, mas alguns deles ainda são meus, mesmo que tenham nascido quando eu acreditava que éramos nós.
Ontem você foi embora. E eu fiquei com tudo aquilo que não tivemos tempo de viver.
Hoje, caminho sozinha por uma estrada que imaginei percorrer contigo.
E talvez eu chore no caminho. Talvez me perca algumas vezes. Talvez haja dias em que eu queira desistir.
Mas, se um dia eu chegar a algum lugar bonito, espero conseguir olhar ao redor sem sentir que deveria ter você ali.
Porque eu não quero passar o resto da vida vivendo como se estivesse esperando alguém.
Eu quero chegar ao futuro que sonhamos, mesmo que você nunca esteja lá para vê-lo.
E, dessa vez, quando eu olhar para trás, quero sentir saudade de quem partiu, não da mulher
que eu abandonei tentando fazê-lo ficar.