Autor: João Guilherme Guimarães de Souza
Há distâncias que cabem em quilômetros,
mas existem outras que moram no coração.
Você está longe dos meus braços,
mas nunca esteve longe da minha lembrança,
porque há pessoas que o tempo não apaga
e a distância jamais consegue levar.
Quando a noite chega devagar,
meu pensamento atravessa caminhos
que meus pés ainda não conseguiram percorrer,
e vai ao encontro de você.
É como se a saudade soubesse o caminho
mesmo quando eu não sei explicar o que sinto.
Não posso te abraçar quando quero,
nem estar ao seu lado em todos os momentos,
mas guardo cada lembrança com carinho,
como quem guarda uma pequena luz
para iluminar os dias em que a falta aperta
e o coração pede sua presença.
Talvez seja isso que a distância ensina:
que estar perto não depende apenas de espaço,
mas daquilo que permanece dentro da gente.
Porque alguém pode estar a muitos quilômetros
e, ainda assim, ser a presença mais bonita
dentro de um coração.
E se o tempo insistir em nos separar,
eu deixarei a saudade falar baixinho,
sem pressa, sem desespero,
porque algumas histórias não precisam correr;
precisam apenas continuar sendo cuidadas
até chegar o dia do reencontro.
E quando esse dia finalmente chegar,
talvez nenhum abraço seja suficiente
para explicar tudo o que senti.
Talvez eu apenas fique em silêncio,
olhando para você,
agradecendo por aquele instante.
Porque depois de tanta distância,
tanta espera e tanta saudade,
entenderei que valeu a pena acreditar:
há pessoas que, mesmo longe dos nossos braços,
nunca deixam de morar no nosso coração.
— João Guilherme Guimarães de Souza