O Reencontro e o Sol
Os dias que faltavam para a chegada de Mariana pareceram durar uma eternidade. Nanda acordava e a primeira coisa que pensava era: falta pouco. E ao mesmo tempo, um frio na barriga vinha logo depois: será que ainda somos iguais? Será que ela vai me achar diferente? Será que não vai mais se reconhecer em mim?
Lucas notou que ela andava distraída, às vezes sorrindo para o nada, às vezes calada demais.
— Está ansiosa? — perguntou, enquanto caminhavam pela rua de árvores que levava à praça.
— Muito — respondeu ela, apertando a mão dele. — E com medo também. E se… e se a gente não tiver mais nada a dizer uma à outra?
Ele parou um instante, virou-se para ela e sorriu, com aquele olhar calmo que sempre a fazia sentir que tudo ficaria bem.
— Amizade de verdade não precisa de muito para recomeçar. É como voltar para casa: mesmo que as coisas tenham mudado um pouco, você sabe exatamente onde fica o seu lugar.
No dia marcado, Nanda estava na estação rodoviária, com o coração batendo tão forte que parecia querer sair pela boca. Ficou de pé, olhando para todos os lados, até que viu: ali estava ela, com a mochila nas costas, os cabelos um pouco mais longos e o mesmo sorriso de sempre, o sorriso que Elisa sentira tanta falta.
Mariana correu ao encontro dela e, sem dizer nada, a abraçou forte, tão forte que Elisa sentiu os olhos encherem de lágrimas. Ficaram assim por um bom tempo, sem pressa, sem palavras, apenas sentindo que estavam juntas de novo.
— Eu senti tanto a sua falta — sussurrou Mariana, afastando-se só para olhar nos olhos dela. — Você não faz ideia.
— Eu também — respondeu Nanda, com a voz ainda trêmula. — Muito.
Mais tarde, sentadas no banco de sempre, debaixo da árvore que agora parecia acolhe-las ainda mais, conversaram por horas. Mariana contou da nova cidade, das coisas que aprendeu, dos dias em que também sentiu solidão. Nanda falou de si mesma, dos medos que ainda vinham, das noites em que ficava olhando para o teto, e de Lucas.
Quando ele chegou, trazendo suco gelado e um sorriso gentil, Nanda sentiu um frio na barriga de novo. Mas Mariana sorriu, acenou, e disse baixinho para ela:
— Gosto dele já. Ele te olha do jeito que merece.
Naquela tarde, os três ficaram juntos. Riram de histórias antigas, falaram de sonhos, de coisas que queriam viver. Nanda percebeu algo bonito: não era preciso escolher entre um amor e uma amizade. O mundo podia ter espaço para os dois, e ambos a amavam — com os silêncios, as dúvidas e tudo.
Na noite anterior à partida de Mariana, sentaram-se na varanda, olhando as estrelas.
— Vou voltar — prometeu Mariana, segurando a mão dela. — E não vai ficar tanto tempo da próxima vez. Nada vai mudar entre nós, Nanda. Nem a distância, nem o tempo. Você faz parte de mim.
Nanda sorriu, sentindo o peito mais leve do que há muito tempo.
— Eu também sempre vou estar aqui — disse ela.
Quando Mariana partiu, o coração de Nanda doeu um pouquinho, sim. Mas não doeu de vazio. Doeu de amor. E ao lado de Lucas, que a esperava com um abraço quieto e quentinho, ela soube: estava cercada de pessoas que a amavam por inteira.
Os medos não tinham sumido completamente. Mas agora não havia mais lugar para a solidão.