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O Salto da Fé

gabbsfinesse77
Pensamento

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LordMonroe

Entre Kant e Kierkegaard cabia o Pascal, que chegou ao mesmo abismo antes dos dois e escreveu que o coração tem razões que a razão desconhece. Era matemático e guardou a vida toda o bilhete da noite em que creu.

Entre Kant e Kierkegaard cabia o Pascal, que chegou ao mesmo abismo antes dos dois e escreveu que o coração tem razões que a razão desconhece. Era matemático e guardou a vida toda o bilhete da noite em que creu.

Conteúdo da publicação

Kant escreveu sobre os limites da razão.

E talvez essa tenha sido uma das primeiras coisas que me fizeram pensar:

e se nem tudo puder ser compreendido?

Passei muito tempo acreditando que precisava entender para crer.

Como se Deus precisasse passar primeiro pela minha razão antes de alcançar meu coração.

Mas a razão tem limites.

E quando ela chega ao seu limite, o que fazemos?

Kierkegaard chamou de salto.

O salto da fé.

Aquele instante em que você chega onde as respostas terminam e precisa decidir se vai confiar.

Porque a ciência pode explicar como o coração bate,

mas pode ela explicar por que ainda amamos?

Pode observar o universo,

mas pode responder por que existimos?

Pode estudar o homem,

mas pode explicar completamente a sua sede por sentido?

Então veio Nietzsche.

O homem que declarou:

“Deus está morto.”

E ainda assim, foi ele quem me ensinou algo que talvez eu nunca tivesse percebido:

nem tudo precisa ser resolvido pela razão.

Nietzsche passou a vida questionando certezas, desconfiando dos valores, confrontando aquilo que o homem chamava de verdade.

E então eu pensei:

Como pode justamente ele, que negou Deus, me fazer enxergar que talvez eu estivesse tentando encontrá-Lo no lugar errado?

Talvez Deus não seja uma equação esperando solução.

Talvez a fé não seja a ausência de perguntas.

Talvez seja continuar caminhando mesmo quando algumas delas permanecem sem resposta.

A Bíblia já perguntava:

“Porventura, desvendarás os arcanos de Deus?”

E Paulo escreveu:

“Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis, os seus caminhos!”

Talvez eu possa estudar.

Questionar.

Pensar.

Duvidar.

Mas chegará o momento em que minha razão olhará para o abismo e reconhecerá:

daqui eu não consigo passar.

E talvez seja justamente ali que começa a fé.

Não porque deixei de pensar,

mas porque finalmente entendi que não preciso compreender tudo para confiar em Deus.

“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.”

Kant me mostrou o limite.

Kierkegaard me mostrou o salto.

Nietzsche me ensinou a questionar até mesmo aquilo que eu julgava saber.

E a Bíblia me ensinou o que fazer depois disso:

confiar.

Porque talvez nem tudo que é verdadeiro precise primeiro caber na minha razão.

Talvez Deus seja justamente isso:

o lugar onde o meu entendimento termina e a minha fé começa.

  • Gabriel Anjos

Thoughts

  • salmo23

    A parte do Nietzsche negando Deus e mesmo assim te ajudando a procurar no lugar certo eu não esperava, gostei muito.

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  • LordMonroe

    Entre Kant e Kierkegaard cabia o Pascal, que chegou ao mesmo abismo antes dos dois e escreveu que o coração tem razões que a razão desconhece. Era matemático e guardou a vida toda o bilhete da noite em que creu.

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Kant escreveu sobre os limites da razão.

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