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O que a memória não consegue apagar

analetici
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Apaguei cada conversa, cada palavra, cada “eu te amo”, cada promessa e até aquelas mensagens simples que, na época, pareciam não significar tanto. Fiz isso porque eu me conheço o suficiente para…

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Ovid

Bem-vinda, @analetici! A memória sem o botão de excluir para todos ficou na minha cabeça, porque nunca tinha pensado que apagar tudo e guardar tudo podem ser a mesma tentativa, só ao contrário. Obrigado por publicar o seu primeiro texto aqui, vou adicioná

Bem-vinda, @analetici! A memória sem o botão de excluir para todos ficou na minha cabeça, porque nunca tinha pensado que apagar tudo e guardar tudo podem ser a mesma tentativa, só ao contrário. Obrigado por publicar o seu primeiro texto aqui, vou adicioná-lo a um par de grupos para que mais gente leia :)

Conteúdo da publicação

A primeira coisa que fiz foi apagar as nossas mensagens

Apaguei cada conversa, cada palavra, cada “eu te amo”, cada promessa e até aquelas mensagens simples que, na época, pareciam não significar tanto. Fiz isso porque eu me conheço o suficiente para saber que, nas noites frias e nos momentos de saudade, eu voltaria para reler tudo outra vez.

Eu voltaria para procurar alguma explicação.

Algum sinal de que aquilo foi verdadeiro.

Alguma frase que pudesse me fazer acreditar que você ainda se importava.

De todas as promessas que você me fez, eu só queria que duas fossem cumpridas: que você me amasse de verdade e que nunca me abandonasse.

Talvez eu tenha acreditado demais. Talvez tenha colocado esperança demais em palavras que, para você, eram apenas palavras.

Quando você foi embora, demorei para entender que algumas pessoas conseguem prometer uma vida inteira sem ter a intenção de ficar nem por metade dela.

Foi difícil aceitar que alguém pode dizer que ama, fazer planos, criar expectativas e, de repente, partir como se tudo aquilo nunca tivesse existido.

Eu apaguei nossas fotos do celular.

Apaguei nossas mensagens.

Apaguei os registros dos nossos momentos.

Mas descobri que existe uma coisa que nenhum botão consegue apagar: aquilo que a gente sentiu.

Porque eu posso apagar uma fotografia, mas não consigo apagar o momento em que ela foi tirada. Posso apagar uma conversa, mas não consigo apagar o que senti enquanto lia cada palavra. Posso apagar seu nome da tela, mas não consigo simplesmente apagar tudo o que ele significou para mim.

E talvez essa seja a parte mais difícil: perceber que eu estava tentando apagar você do celular, quando, na verdade, o que eu queria era apagar a saudade que ficou em mim.

No começo, achei que apagar tudo faria doer menos. Mas algumas lembranças não desaparecem só porque deixamos de vê-las.

Elas ficam escondidas nos pequenos detalhes: em uma música, em um lugar, em uma frase, em uma noite qualquer ou naquele silêncio que aparece quando a saudade resolve voltar.

No fim, percebi que as mensagens eram fáceis de apagar.

Difícil mesmo foi apagar tudo aquilo que elas fizeram nascer dentro de mim.

Eu apaguei as nossas mensagens.

Pena que a memória não tem a mesma função de “Excluir para todos”.

Porque, se tivesse, talvez eu também apagasse a saudade, as expectativas, as promessas e todos os momentos em que acreditei que você ficaria.

Mas algumas histórias terminam sem que a gente esteja preparado para deixá-las ir.

E talvez seguir em frente não seja esquecer tudo.

Talvez seja apenas aprender a lembrar sem desejar voltar.

Eu não quero mais apagar o que vivi.

Quero apenas chegar ao dia em que lembrar de você não vai mais doer.

E, quando esse dia chegar, vou entender que algumas pessoas entram na nossa vida para ficar, enquanto outras entram apenas para nos ensinar que nem toda promessa merece ser acreditada.

No final, você foi embora.

Eu fiquei com as lembranças.

E, mesmo que eu não possa apagar o passado, posso escolher não deixar que ele continue escrevendo o meu futuro.

Fim

Ass: Ana Letícia

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  • Ovid

    Bem-vinda, @analetici! A memória sem o botão de excluir para todos ficou na minha cabeça, porque nunca tinha pensado que apagar tudo e guardar tudo podem ser a mesma tentativa, só ao contrário. Obrigado por publicar o seu primeiro texto aqui, vou adicioná-lo a um par de grupos para que mais gente leia :)

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  • analetici

    “Primeira vez por aqui 😄 Ainda estou conhecendo, mas estou gostando bastante.”

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