Na madrugada pedi à mente
que se acalmasse um pouco.
Mas a angústia de não pensar
já vinha, como sempre, me visitar.
Tantas coisas me fazem sentir
que a vida ainda está por vir.
E eu me pergunto, em silêncio:
o que ela ainda guarda pra mim?
A ansiedade de querer crescer
e o tédio de ter que viver.
Perco tempo na brisa do “o que fazer”
ao acordar…
E se amanhã eu nem da cama levantar?
Gasto noites imaginando maravilhas
e me isolo numa ilha
onde ninguém cobra muito,
onde fico só com a vida
e com o aperto no peito.
Tenho medo de sonhar grande.
Disseram que isso não é coisa
de mente brilhante.
Mas acho que eles erraram.
Sou a essência pura
daquilo que me consome:
as loucuras que me tiraram a fome.
Gosto de ser criativo
porque é assim que existo de verdade.
A maior conquista é a liberdade:
ela mostra que encontramos a verdade.
Escrever é a arte feita de palavras
que saem direto da alma.
Isso é ilusão?
Ou só mais uma coisa da minha imaginação?
Acho que aprendi a amar.
Me contento em ficar na solidão.
Mas falando em amor, sinto essa dor
de não poder expressar nada
pra não parecer assustador.
Aprendemos que tudo gira em torno do ego.
Eu também tenho o meu, não nego.
Ainda assim, devemos amar cada vez mais
antes que seja tarde demais.
Agradeça por deitar em paz
e não aflito por ser um inconveniente.
Pessoas são monstros assustadores
até entendermos suas dores.
Descansar é viver devagar.
Não se apressar é a chance de aproveitar.
Desfrute da calmaria quando o luar chegar:
o silêncio faz a gente repensar.
Uma dúvida me passou:
você já se encontrou?
Ou simplesmente nem precisou?
Refletir sobre o próprio egoísmo
é vencer o mecanismo.
Aqui se fecha o rimar.
E eu me contento
ao poder, enfim, me encontrar.