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"O Não "

RosanaTanaka
Pensamento

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Clemilda

A professora chama o não de escudo, mas quem mudou o Lucas foi a resposta que veio depois da pergunta. Muito não de adulto chega sem motivo nenhum, e aí a criança só conhece a parede mesmo.

A professora chama o não de escudo, mas quem mudou o Lucas foi a resposta que veio depois da pergunta. Muito não de adulto chega sem motivo nenhum, e aí a criança só conhece a parede mesmo.

Conteúdo da publicação

: "O Não" – Autora & Educadora Rosana Figueira

Certo dia, Lucas queria muito ir ao parque. Mas o céu se despediu do sol, ficou escuro e a chuva começou a cair.

— Hoje não vai dar, Lucas — disse a mamãe, com uma voz calma e doce.

— Não?! — respondeu Lucas. Ele sentiu a raiva subir rápido, como um balão que enche até quase estourar.

Para ele, aquele "não" parecia uma parede enorme e gelada bem no meio do seu caminho.

No dia seguinte, na escola, a professora trouxe uma ideia diferente. Ela explicou que o "não" também pode ser uma forma de carinho.

— Às vezes, o "não" é um escudo que protege a gente — disse ela. — Ele nos ensina a esperar, a pensar com calma e a fazer escolhas melhores.

Lucas ficou quietinho, mastigando aquela ideia. Com o tempo, ele decidiu testar algo novo.

Sempre que ouvia um "não", em vez de explodir ou brigar, ele respirava fundo e perguntava:

— Por quê?

E, nas respostas, ele descobriu que o "não" quase sempre vinha de mãos dadas com o amor, a atenção e a proteção.

Ele percebeu que o "não" ajudava todo mundo a viver melhor junto: na hora de dividir o brinquedo com o amigo, no momento de guardar as coisas ou quando o corpo pedia um descanso.

Lucas respirou fundo, contou até três e sorriu. Ele percebeu que estava crescendo por dentro.

O "não" já não era mais uma parede. Era um caminho que ensinava a voar com os pés no chão.

Reflexão sobre o TOD (Transtorno Opositor Desafiador)

​Para crianças com traços de TOD, o "não" é interpretado pelo cérebro como uma ameaça direta à autonomia, o que gera a reação de luta (raiva/desafio).

Atividades

O Detetive do "Não" (Explorando o Significado):

O Detetive do "Não" (Explorando o Significado):

​Como funciona: Peça para a criança lembrar de três situações em que ouviu um "não" (em casa, na escola, com amigos). Para cada "não", ela deve desenhar ou descrever:

​Como ela se sentiu.

​Qual foi o motivo do "não" (com ajuda de um adulto, se precisar).

​O que ela aprendeu com aquele "não".

​Material: Espaço para desenho ou escrita, lápis de cor.

​Objetivo: Ajudar a criança a conectar o "não" com uma razão e uma consequência positiva (aprendizado ou proteção), transformando a frustração em compreensão.

Thoughts

  • flima82

    Lá em casa o por quê virou arma. O mais novo aprendeu a perguntar e perguntava vinte vezes seguidas até a gente cansar e ceder. Tem criança que testa o motivo, não só o não.

    Permalink
  • RosanaTanaka

    ​O "não" vazio ou punitivo: Quando o adulto utiliza o "não" apenas como uma proibição seca, sem afeto, sem escuta ou sem contexto (o "não por ser não"), a criança não aprende a se regular; ela apenas se sente bloqueada ou incompreendida. Como bem disse a internauta, se o limite vem sem motivo ou sem acolhimento, a criança acaba se fechando e "batendo na parede" da frustração.

    ​A escuta e a resposta construtiva: O verdadeiro acolhimento e a mudança — como vemos na jornada do Lucas no conto — acontecem quando o limite vem acompanhado de mediação, de uma alternativa e de um olhar sensível que busca entender o que está por trás daquele comportamento (seja uma sobrecarga sensorial, uma angústia ou uma dificuldade de comunicação).

    ​O "não" precisa ser um escudo de proteção e orientação, nunca um muro de isolamento.

    Permalink
  • Clemilda

    A professora chama o não de escudo, mas quem mudou o Lucas foi a resposta que veio depois da pergunta. Muito não de adulto chega sem motivo nenhum, e aí a criança só conhece a parede mesmo.

    Permalink

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