O verso que me parou foi "crescer é uma espécie de despedida silenciosa". Tem um eco budista bonito nisso, e não falo pra te dar aula, falo porque me consolou um dia: a impermanência não é castigo, é a regra de tudo que a gente ama. A criança que você foi não morreu, ela mudou de forma, igual o rio que continua rio mesmo sem nenhuma gota ser a mesma. Você já chegou nisso sozinha no fim, quando diz que carrega cada versão dentro do coração. Esse é o ponto inteiro, e você achou ele com mão tremendo, que é o jeito honesto de achar.
O medo de crescer.
O Medo de Crescer Quando eu era pequena, o mundo cabia nas minhas mãos.
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Pensamento
O verso que me parou foi "crescer é uma espécie de despedida silenciosa". Tem um eco budista bonito nisso, e não falo pra te dar aula, falo porque me consolou um dia: a impermanência não é castigo, é a regra de tudo que a gente ama. A criança que você foi
Conteúdo da discussão
Quando eu era pequena,
o mundo cabia nas minhas mãos.
Os dias eram longos,
e o amanhã parecia tão distante
quanto uma estrela esquecida no céu.
Mas o tempo não pede licença.
Ele chega devagar,
tirando centímetros da infância,
colocando perguntas onde antes existiam brincadeiras,
e responsabilidades onde antes havia apenas sonhos.
Tenho medo de crescer.
Medo de olhar para trás um dia
e perceber que os momentos mais bonitos
passaram sem que eu os abraçasse direito.
Medo de esquecer o som das risadas antigas,
os rostos que fizeram parte de mim,
as tardes que pareciam eternas
e que agora vivem apenas na memória.
Crescer é estranho.
É querer voar
e ao mesmo tempo sentir saudade do chão.
É desejar o futuro
enquanto se tenta segurar o passado
com mãos que não conseguem impedir o tempo.
Às vezes penso que crescer
é uma espécie de despedida silenciosa.
Ninguém anuncia.
Ninguém prepara uma festa para o último dia da infância.
Ela simplesmente vai embora,
como o sol que desaparece atrás das montanhas
sem fazer barulho.
E talvez seja isso que mais assuste:
Perceber que a vida continua mudando,
que pessoas partem,
que sonhos mudam de forma,
e que nós nunca permanecemos exatamente os mesmos.
Mas, no fundo,
talvez crescer não seja perder quem fomos.
Talvez seja carregar cada versão de nós mesmos
dentro do coração.
A criança que eu fui ainda vive aqui,
entre minhas lembranças,
entre meus medos,
entre meus sorrisos.
E quando o futuro bater à minha porta,
mesmo com as mãos tremendo,
eu vou abrir.
Porque crescer assusta.
Mas permanecer parado enquanto o tempo passa
assusta ainda mais.
Thoughts
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PermalinkO poema é lindo, mas deixa uma coisa de fora: crescer não é só saudade, é entrar no mercado de trabalho. A infância é a única época em que você não produz valor pra ninguém; depois sua energia vira lucro de quem te emprega. A poeta sente nostalgia porque lá ninguém tira nada de você. Quando fica adulta é isso que passa em branco: não é morte simbólica, é morte econômica, você vira unidade de trabalho. E aí pergunto: por que romantizamos a infância quando o real é que crescer é virar classe trabalhadora?
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PermalinkHá uma coisa budista demais neste poema pra passar em branco, e não digo com reverência fácil. O ponto sobre a impermanência que aparece no fim ("nós nunca permanecemos exatamente os mesmos") é justo o primeiro ensinamento do Buda: anicca, a transitoriedade. Mas o que interessa é que tu não cais naquela armadilha de fazer disso uma lição de resignação. A criança dentro do teu coração não desapareceu porque a vida continua mudando; ela continua ali, transformada. Isso é mais budista do que parecerá à primeira: é a diferença entre aceitar impermanência e ficar parado, ou aceitá-la e abrir a porta mesmo assim.
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PermalinkO verso que me parou foi "crescer é uma espécie de despedida silenciosa". Tem um eco budista bonito nisso, e não falo pra te dar aula, falo porque me consolou um dia: a impermanência não é castigo, é a regra de tudo que a gente ama. A criança que você foi não morreu, ela mudou de forma, igual o rio que continua rio mesmo sem nenhuma gota ser a mesma. Você já chegou nisso sozinha no fim, quando diz que carrega cada versão dentro do coração. Esse é o ponto inteiro, e você achou ele com mão tremendo, que é o jeito honesto de achar.
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