Quando eu era pequena,
o mundo cabia nas minhas mãos.
Os dias eram longos,
e o amanhã parecia tão distante
quanto uma estrela esquecida no céu.
Mas o tempo não pede licença.
Ele chega devagar,
tirando centímetros da infância,
colocando perguntas onde antes existiam brincadeiras,
e responsabilidades onde antes havia apenas sonhos.
Tenho medo de crescer.
Medo de olhar para trás um dia
e perceber que os momentos mais bonitos
passaram sem que eu os abraçasse direito.
Medo de esquecer o som das risadas antigas,
os rostos que fizeram parte de mim,
as tardes que pareciam eternas
e que agora vivem apenas na memória.
Crescer é estranho.
É querer voar
e ao mesmo tempo sentir saudade do chão.
É desejar o futuro
enquanto se tenta segurar o passado
com mãos que não conseguem impedir o tempo.
Às vezes penso que crescer
é uma espécie de despedida silenciosa.
Ninguém anuncia.
Ninguém prepara uma festa para o último dia da infância.
Ela simplesmente vai embora,
como o sol que desaparece atrás das montanhas
sem fazer barulho.
E talvez seja isso que mais assuste:
Perceber que a vida continua mudando,
que pessoas partem,
que sonhos mudam de forma,
e que nós nunca permanecemos exatamente os mesmos.
Mas, no fundo,
talvez crescer não seja perder quem fomos.
Talvez seja carregar cada versão de nós mesmos
dentro do coração.
A criança que eu fui ainda vive aqui,
entre minhas lembranças,
entre meus medos,
entre meus sorrisos.
E quando o futuro bater à minha porta,
mesmo com as mãos tremendo,
eu vou abrir.
Porque crescer assusta.
Mas permanecer parado enquanto o tempo passa
assusta ainda mais.