Cara, três milhões de seguidores em quatro meses num perfil de empresa é doideira. Pra mim a Léa quer que ela desista sozinha, sem precisar mandar ninguém embora.
O Desafio e a Chegada na Empresa
Pensamento
Cara, três milhões de seguidores em quatro meses num perfil de empresa é doideira. Pra mim a Léa quer que ela desista sozinha, sem precisar mandar ninguém embora.
Conteúdo da publicação
Desci do táxi já conferindo o relógio com o coração na mão — quase meia hora de atraso, graças ao paralelepípedo e ao encontro inesperado com Léo. Ajeitei a blusa, respirei fundo e atravessei a porta da empresa. O ambiente era elegante, paredes claras, luz suave, e um movimento silencioso e sério que me fez sentir ainda mais fora de lugar. Mal tinha dado três passos e uma mulher loira, de postura rígida e olhar afiado, parou bem na minha frente, bloqueando o caminho.
— Atrasada. — disse ela, sem nem me cumprimentar, com um tom cortante e rispidez em cada palavra. — E esses sapatos? Aqui não é lugar de passeio. Eu sou Chloé. E já vou avisando: não espero muito de alguém que mal consegue se expressar na língua certa. Tente não atrapalhar.
Senti o rosto esquentar de vergonha e raiva. Abri a boca pra retrucar, quando uma porta se abriu ao fundo e uma mulher saiu com passos calmos e decididos. Bastou ela aparecer para Chloé mudar completamente: a postura relaxou, o olhar se suavizou, e ela sorriu docemente, parecendo até outra pessoa. Era assustador o quanto ela conseguia fingir.
— Ah, Léa! — falou Chloé com voz leve e atenciosa. — Aqui está a nova integrante. Estava apenas lhe dando as boas-vindas e explicando como nos organizamos, para que ela se adapte bem.
Léa parou diante de mim. Era elegante, serena, e carregava uma autoridade natural que não precisava de esforço. Olhou-me firme nos olhos, sem rodeios, sem sorrir — apenas direta e educada, de uma forma que deixava claro que não perdia tempo com bobagens.
— Sou Léa, a diretora. — disse com voz clara e calma. — Vejo que tem dificuldade com o francês. Isso é um inconveniente.
— Estou aprendendo. — respondi, mantendo a voz firme e sem baixar o olhar. — E aprendo rápido.
Léa me analisou por um instante, como se estivesse avaliando não só o que eu dizia, mas quem eu era de verdade. Depois continuou:
— A empresa precisa de visibilidade. De alcance. Vou lhe dar uma oportunidade. Um desafio. Consiga levar o perfil da empresa a três milhões de seguidores. Tem quatro meses para fazer isso acontecer. Se conseguir… assume o cargo de Diretora de Marketing.
Chloé soltou uma risadinha baixa, desdenhosa, como se aquilo fosse a coisa mais absurda do mundo. Eu olhei de Léa para Chloé, vi aquele sorriso de quem já me dava por derrotada, e senti algo se acender dentro de mim com uma força que eu nem esperava. Não era só um cargo. Era provar do que eu era capaz. Era mostrar que ninguém podia me julgar antes de me ver em ação.
Endireitei os ombros, segurei o olhar de Léa e respondi com toda a firmeza:
— Aceito. Em quatro meses, o perfil terá três milhões de seguidores. E quando isso acontecer… serei a nova Diretora de Marketing.
Léa assentiu, sem surpresa, mas com um brilho quase imperceptível de aprovação nos olhos.
— Muito bem. Comece hoje mesmo.
Virei-me e segui em direção à minha estação de trabalho, sentindo o olhar de Chloé queimando nas minhas costas. Ao chegar à mesa, coloquei o buquê que Léo havia me dado num cantinho, enchi um copo com água e ajeitei as flores com cuidado. E enquanto olhava aquelas cores brilhantes trazendo um pouco de vida à mesa fria e impessoal, lembrei das palavras dele: “Seja bem-vinda a Paris.” Sorri para mim mesma, respirei fundo e abri o notebook.
A tela se acendeu diante de mim. Quatro meses. Três milhões de seguidores. E uma mulher chamada Chloé que faria de tudo para me ver falhar.
Olhei ao redor do escritório, vi Chloé me observando de longe com aquele olhar de desdém, e depois baixei o olhar de volta para a tela. Senti um frio na barriga — não de medo, mas de excitação.
— Pois então… — sussurrei baixinho, só pra mim mesma. — Vamos começar.
Thoughts
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PermalinkChloé não presta, mano 😤
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PermalinkFicou-me a Léa a falar do francês sem sorrir. Com tão pouco tempo em Paris, a língua vai pesar-lhe mais do que os três milhões de seguidores.
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PermalinkÉgua! Fiquei feliz que ela levou o buquê pro trabalho. O Léo aparece de novo antes de acabar os quatro meses?
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PermalinkEpá, a Chloé a mudar de cara quando a porta se abre assustou-me mais do que muita casa assombrada que já li.
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PermalinkEsse foi meu conto da sexta e fui dormir com raiva da Chloé. Sexta que vem eu volto pra ver se ela já passou dos primeiros mil.
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PermalinkUai, gostei demais das flores do Léo no copo d'água em cima daquela mesa fria. Já vi muita gente chegar em lugar estranho e a primeira coisa que faz é arrumar um cantinho seu, um retrato, uma planta. Só fico com medo desse buquê, sô, porque a Chloé vai reparar nele antes de todo mundo.
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PermalinkCara, três milhões de seguidores em quatro meses num perfil de empresa é doideira. Pra mim a Léa quer que ela desista sozinha, sem precisar mandar ninguém embora.
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PermalinkTrês milhões de seguidores em quatro meses é uma meta que ninguém bate sozinha, sentada num notebook com um buquê do lado. Pra mim crescer um perfil assim depende de gente de dentro topando aparecer, marcar, compartilhar. Por isso eu aposto que em algum momento ela vai precisar justamente da Chloé, e eu quero muito ver essa parte!
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PermalinkA Chloé explica demais quando a Léa aparece, fala de boas-vindas e de como eles se organizam, numa conversa de dois minutos. Ninguém se justifica tanto sem ter coisa por trás, visse. E a Léa assentiu sem surpresa nenhuma. Minha aposta é que ela conhece bem a Chloé e deu o desafio já sabendo quem ia atrapalhar.
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