Meu coração
nunca teria escolhido Cristo.
Teria escolhido o caminho mais curto.
A resposta mais dura.
O orgulho mais confortável.
A vitória mais rápida.
Jamais teria escolhido
a porta estreita.
Porque o coração natural
não ama a cruz.
Admira coroas.
Não ama servir.
Prefere ser servido.
Não ama o perdão.
Prefere a vingança silenciosa,
aquela que nunca toca as mãos,
mas endurece a alma.
Quando Cristo me chamou
à humildade,
meu coração chamou
de fraqueza.
Quando me chamou
à mansidão,
meu coração chamou
de derrota.
Quando me chamou
à longanimidade,
meu coração perguntou:
“Até quando?”
Foi então que compreendi.
O Evangelho nunca pediu
aquilo que eu faria naturalmente.
Se assim fosse,
eu não precisaria nascer de novo.
Cristo não veio melhorar
o velho homem.
Veio crucificá-lo.
Porque há um homem em mim
que ama ser aplaudido.
Outro,
aprende a lavar os pés.
Há um homem em mim
que deseja vencer toda discussão.
Outro,
aprende que nem toda verdade
precisa ser dita
sem amor.
Há um homem em mim
que conta as ofensas.
Outro,
aprende a contar
as misericórdias.
Todos os dias
esses dois homens
se encontram.
E todos os dias
a cruz decide
qual deles
voltará para casa.
Talvez a maior evidência
de que Cristo vive em nós
não seja a ausência da luta.
Mas a presença
de uma guerra
que antes nem existia.
Porque o coração
nunca votou em Cristo.
Mas, pela graça,
Cristo escolheu
habitar nele.
- Gabriel Anjos