O beija-flor chegou perto da rosa
como quem não sabe se é visitante ou destino.
Seu corpo pequeno tremia no ar,
mas dentro dele havia uma força imensa,
um desejo de permanecer.
A rosa, silenciosa,
sentiu o toque leve, quase imperceptível,
e se abriu não por causa da luz,
mas por causa da presença.
Era como se alguém finalmente a tivesse visto
além da beleza que todos admiravam.
O beija-flor sabia que não podia ficar.
Sua vida era feita de movimento,
de voos curtos, de partidas inevitáveis.
Mas naquele instante,
ele quis ser raiz,
quis ser pétala,
quis ser tudo o que a rosa era.
A rosa não pediu nada.
Aceitou o amor breve,
aceitou o risco da ausência,
porque havia verdade naquele encontro.
E assim, entre o bater de asas e o silêncio das pétalas,
nasceu um amor que não precisava durar.
Ele já era eterno
na intensidade da existência!