Ele de azul, terno bem fechado,
rigor de quem leva o fato a sério.
Ela de cinza, jeans despojado,
a rua no pé, verdade sem mistério.
Os dois de braços bem cruzados,
não é pose, é resistência.
Em 89, país despedaçado,
eles escolheram permanecer, com insistência.
Ele é o Lucas, pensativo e dedicado,
alegre sim, mas com peso no olhar.
Sabe que cada linha é um legado,
e que informar é também amar.
Ela é a Lívia, laço preto no cabelo,
sincera, rápida, sem rodeio.
Não esconde a dor, não faz apelo,
dá voz ao povo, sem receio.
Trabalham juntos na Manchete,
quando o Brasil queria calar.
Das 7 ao fim da enquete,
ficam, porque não sabem abandonar.
O amor no jornalismo não é status,
não é o crachá, não é o furo.
É dividir o mesmo pão e o mesmo lápis,
quando o futuro ainda é escuro.
Ele de gravata, ela de tênis branco,
ele acredita no texto, ela no grito.
Lado a lado, no mesmo banco,
sustentam o que é bonito.
Porque amar o jornalismo, no fim,
não é amar a câmera ou o nome.
É amar o outro, mesmo assim,
e não deixar que a notícia morra de fome.
É na Manchete, em oitenta e nove,
quando tudo podia desabar.
Um amor que o tempo não dissolve,
porque escolheu ficar pra contar.
Autor: Lucas Rodrigues Vasconcelos.
Inspirado um pouco nos jornalistas: Eliakim Araújo e Leila Cordeiro.