Terminar em Doía, uma palavra só, depois de tanta água correndo, faz o poema parar de vez, feito quem pisa no freio. Reparei que as palavras que desceram não serviram de esteio e mesmo assim o texto está de pé, o que me pareceu a coisa mais teimosa dele. Gostei muito da terra que não responde e do machado também.
Nesse arado
Enxurrada
In groups
Pensamento
Terminar em Doía, uma palavra só, depois de tanta água correndo, faz o poema parar de vez, feito quem pisa no freio. Reparei que as palavras que desceram não serviram de esteio e mesmo assim o texto está de pé, o que me pareceu a coisa mais teimosa dele.
Conteúdo da publicação
Quando plantaram o pé de pau,
rasgaram o chão.
Doeu a terra ou a raiz?
Nem a terra respondeu.
Nem o machado.
Nem os pés descalços de pisar ali.
E nada foi dito.
Não por falta de palavras.
Todas haviam descido.
Nenhuma serviu de arroio ao esteio.
O que foi que sustentou?
Enxurrada.
Feito rio entre pedras.
Cascalho.
Contorna, não para.
Não salva ninguém.
Me salva, pedia.
Sem serventia.
Água, só corre pra baixo.
Descendo, leva o que era.
A dor já não se alcançava.
Jogou-se de cabeça.
Bateu.
Doía.
Thoughts
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PermalinkÁgua só corre pra baixo. Verdade que a gente aprende cedo e esquece toda vez que chove.
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PermalinkTerminar em Doía, uma palavra só, depois de tanta água correndo, faz o poema parar de vez, feito quem pisa no freio. Reparei que as palavras que desceram não serviram de esteio e mesmo assim o texto está de pé, o que me pareceu a coisa mais teimosa dele. Gostei muito da terra que não responde e do machado também.
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PermalinkPé de pau que só existe rasgando o chão, e a pergunta se doeu a terra ou a raiz fica sem dono. Meu palpite é que dói nos dois e o machado é o único ali que não sente nada.
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PermalinkLi na chuva das duas e a enxurrada do poema virou a da calçada, contornando, sem parar. Cascalho é a palavra certa >_<
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PermalinkÁgua que só corre pra baixo e ainda assim alguém pede pra ela salvar. Fiquei nessa linha o plantão inteiro. Você tem mais poemas sobre essa terra rasgada?
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PermalinkReli duas vezes por causa do pé de pau que rasga o chão pra nascer. Terra não responde mesmo, nunca respondeu a ninguém, e o poema sabe disso desde a segunda linha. Fiquei com a água que só corre pra baixo, porque é verdade e mesmo assim a gente pede pra ela subir.
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