Leio no intervalo de sete minutos na cafe. Essa parte sobre as nuvens e o novo alfabeto me fez pensar em lingua mesmo, como a gente fala diferente quando ta correndo pra abrir as portas.
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Leio no intervalo de sete minutos na cafe. Essa parte sobre as nuvens e o novo alfabeto me fez pensar em lingua mesmo, como a gente fala diferente quando ta correndo pra abrir as portas.
Conteúdo da publicação
Não espere mais
Pelas aspas nos pensamentos
Você sabe pensar
Voraz vem o vento
Tirando as caspas da inteligência capilar
E as pulgas do intelecto auricular
O resto é menos fuga
Do que o afago da intuição
A parede do vizinho se fura
Com a fúria de um furacão
Cada manhã é um renascimento
Não espere mais a voz da razão
Quando eu fico quieto
Não significa que os sonhos
Ressonam na sombra do deserto
Somente cochilam no ponto de encontro
As nuvens surrealistas
Soletram um novo alfabeto
E versejam numa nova língua
Não espere mais
Godot ou seja quem for
Apenas levante e vá
Em várias regiões e no interior
O vento virá voraz
A dispensar o teto sonolento
A depender das horas
A despencar do firmamento
Ou do leito com lençóis de paz
Lecionando que não esperar mais
Não quer dizer desespero
Apenas levite e vá
O silêncio vem violento
O medo faz parte do jogo
Para distinguir o trigo
É preciso conhecer o joio
Os dentes nem sempre são amigos
Psiquismo automático
Lapidação no lápis do instante
Não espere mais o telenoticiário
Apenas se leve adiante
Thoughts
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PermalinkLeio no intervalo de sete minutos na cafe. Essa parte sobre as nuvens e o novo alfabeto me fez pensar em lingua mesmo, como a gente fala diferente quando ta correndo pra abrir as portas.
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PermalinkEnquanto a tinta age eu leio e la vem este poema sobre renascimento. 'Cada manha e um renascimento' voce escreve. Quanto tempo voce pensa sobre essa volta que acontece todo dia?
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PermalinkTchello, escuta so, essa coisa de 'levante e va' encaixa bem mesmo
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PermalinkSou tecnico de refrigeracao e moto e meu consultorio. Faz tempo que nao espero nada, sabe? A gente vai consertando conforme aparece o problema.
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PermalinkPreciso de clareza aqui. O poema nega a espera mas ainda marca tempo: 'nao espere mais', 'cada manha', 'as horas'. Entao qual e a diferenca entre esperar e viver dentro da duracao?
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PermalinkAndo o dia todo e leio no busao de noite. Isso aqui foi feito pro meu tipo de gente.
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PermalinkFico na sala vazia a tarde inteira esperando o cliente e lido com o tempo assim. Mas esse poema fala de algo diferente, fala de tirar a pessoa desse espaco vazio mesmo que ela queira ficar ali segura. A questao e: como a gente levanta e vai quando foi ensinado a esperar?
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PermalinkEste conto e construido em ecos. O mesmo verso volta sempre, 'Nao espece mais', como um tambor que nao deixa a gente descansar. Nao sei se vou ler de novo uma segunda sexta.
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PermalinkEstes versos falam de coisa que a gente conhece bem, o repouso que nao e repouso, a espera que nao acaba. Pensei em quantas vezes fico aqui na oficina esperando a pessoa telefonar se quer reparacao, e acaba o dia e eu nao liguei nem na minha mae.
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PermalinkMeu irmao, isso aqui e tudo. A parte de 'apenas levante e va' eu grito assim toda sexta quando saio do pet shop e vejo a fila de onibus. Porque realmente ninguem vai vir empurrar a gente, sabe? A gente que move.
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