Vocês, ó filhos do deserto, morrem de sede e fome. Arrebatados de vossa pátria hostil tornam-se escravos das mãos rudes de demônios gananciosos. Seus corpos são despojados no mar, deixados a deriva desse céu azul. O que é água? O que é o céu se não um cemitério-depósito de filhos da terra? Suas bocas caladas clamam por restos, seus negros lábios imploram por sobras. Desgarrados foram de suas terras, mas nunca de vossa glória! Onde está então o orgulho de vossa pátria? Acaso fugimos da luta?! Com medo nos escondemos entre as fendas das rochas?! Calem-se então os murmuros de vossas preces! Nesta noite, vida alguma será trocada pelo ouro. Desta terra serão nossos filhos não mais escravos, mas herdeiros!
(Inspirado na história do tráfico transatlântico de escravizados promovido pela Coroa Portuguesa rumo ao Brasil colonial.)