Aprendemos desde cedo a não desistir.
A dar o nosso melhor,
a lutar, continuar, persistir,
e toda batalha merece
o sacrifício de nossas forças.
Mas existem labirintos
que não levam a lugar algum.
Neles, até o silêncio das coisas floresce, e alguns futuros
nunca nascerão.
Desistir não acontece de uma só vez.
Acontece aos poucos,
numa palavra que deixamos de dizer,
numa esperança que já não alimentamos,
num sonho que, deixamos de chamar de nosso.
Porque desistir, às vezes, é o gesto mais corajoso
de quem já lutou além dos próprios limites
e aprender a caminhar noutra direção.
Há momentos em que insistir
deixa de ser esperança
e se transforma numa maneira lenta
de ferir a si mesmo.
Partir não é fracasso.
permanecer não é vitória.
derrota não está em abandonar o caminho, mas em permanecer nele
depois de não se reconhecer
A vida é vasta demais
para morrer dentro de um único desejo.
Há outros horizontes, outras manhãs,
outras versões de nós
esperando para nascer.
abrir as mãos,
soltar o que já não nos pertence
e permitir que a vida siga.
Porque, às vezes,
desistir não é deixar de acreditar na vida.
É compreender que a vida
não pode continuar sendo sacrificada
em nome daquilo que já não nos permite viver.