Letras, letras demais. Eu as pus para fora comi um parto. Toda essa dor faz parte do ato de compor. Até quando vou ter que me transpor? Sinto que escrevi isso a alguém, acho que a mim, se me encontrar, me diga que já parti.
ATO 1: DORES E DÚVIDAS
Todas aquelas coisas que não temos certeza, logo tudo. Tudo que nos rodeia são dúvidas, vivemos de dúvidas, criamos dúvidas e até nossas respostas não são definitivas. Você irá ler ou ouvir isso e pensar: o que isso realmente é? Minha mensagem terá sido passada.
JORNADA
Cinco passos até o frio
Um deserto até o Alasca
Que desgraça
Minhas calças rasgadas e tênis furados
Que merda
Estou no meio das trevas mais claras
Me sinto perdido
Sabia não devia ter vindo
Me solta
Não a nada que me prenda nesta infinda draga
São só retratos das fatídicas falas de quem não sabe nada
Será que você realmente se ama?
Essa pergunta ecoa nas paredes de casa
E sai enquanto me abrigo em meio a nevasca
É você estava certa
Eu sonhava demais e faço pouco
Eu sempre fui pouco
Mas
Chegar no topo vai mudar tudo
A
Eu já me vejo no topo do mundo
Amor, amigos, amigas, pai, mãe
Eu já me vejo lá
Enquanto caio
A um passo da vitória
Sim
Eu vejo
O lugar
O símbolo de tudo
Que sensação inacreditável
Eu sinto o chão
Sinto ele me quebrar todo
A melhor forma de morrer
Estou no topo, mãe
No topo dos jornais
Eu cumpri minha promessa
NOITE DE AMANHÃ - O nada
Essa noite foi em vão
Me senti preso a cama
E com pálpebras coladas ao rosto
Minha mente totalmente ligada
Eu maquiei todos os planos maquiavélicos
Fantasiei todos os futuros dantescos
É isso
ESTOU VOMITANDO TUDO QUE HÁ EM MIM E NO MEU ENTORNO
Tive que descarregar as barras
Descarrego
É muito sofrimento
Apertos no peito
Sinto tiros que queimam
Nos jornais de amanhã
Saem as notícias das próximas eras
A como eu queria voltar a ser apenas o que eu era
O que já fui
Plantado em todos os lugares
As sementes não germinam mais flores
São pedradas na minha janela
São guerras em todas as horas
Não há paz em mim
Matei todos aqueles que eu criei
Fiz antitesea de ideias retas
Me senti cortado por paralelas
A como eu queria essas telas
Todos esses livros entram e não saem
Todas essas palavras entram e não saem
Todos esse olhares causam massacres
A como eu queria acordar todos os dias mais tarde
Como eu queria
Fiquei querendo ser alguém
Busquei ser vivo e tô morto demais pra isso
Não tem sentido no mundo
Não tem mundo
Meu mundo se foi
O mundo se perdeu em todas as sensações
CARTAS DE NINGUÉM A MIM ENTREGUES PELA VIDA
Essas mensagens não tem sentido
Suas falas não tem nexo
Eu não me sinto parte dessa cena
Não me encontro nessas pontuações
Sua família é cinza demais
Minha família é luta demais
Eu queria não ser só um rapaz
Eu roubo rimas e trejeitos demais
Me sinto o Percy Jackson - ladrão de raios
Mas roubando fatos
Mas o tempo passa
Horas passam rápido
Homens matam
- Eu não estou entendendo?
Pare de faler
Seu momento já foi
Agora na ópera que opera sou
Nesses saxofones não tem sex
Muitos violinos pra poucos titanics
São pessoas demais fazendo RPG na vida real
Personagens que mentem e machucam pessoas reais
Realidade irreal
Winston churchill garantiu que ninguém morreu no Reino Unido na grande depressão
Conta outra
É fácil quando se abusa de colônias
Não sinta pena
Você faz isso abusa do sentimento dos outros
Você abusa das boas vontades dos outros
Você abusa de tudo
Lucro
Sangue
Sanguessugas
Mortes nas ruas
Em cima e embaixo não tem mais nada
Vocês lutam demais pelo que talvez não exista
Você hesitam demais
Vocês não são reais!
ATO 2: REVOLTA E RAIVA
O ódio. Todo aquele descontrole. O fervor, torpor. Descontar tudo o que há em você, deixae sair tudo que há em você. Não minta nem se controle, tudo já era, só há você e suas inconformidades, suas decepções e angústias. Aceite....
NECESSIDADES DO MUNDO NÃO SÃO MINHAS
Eu não quero estudar cara
Não quero trabalhar
Não quero nada que envolva me desgastar
O mundo me cobra coisas que eu nem devo
Quero fugir de tudo
Ir embora
Ficar longe dos gritos e dos barulhos das horas
Quero ir pra um lugar onde nada ocorra
Onde não se mate nem morra
Quero ver as nuvens passarem
Quero vida
Quero arte
Cansei de pessoas e lugares
Cansei de obrigações afazeres
Não use essas palavras estranhas comigo
Não conheço network
Que porra é essa mano?
Me deixem ser livre
Me soltem das amarras que vocês impõem
Caralho
É tudo cinza lá fora
A morte está chegando
Eu sinto ela na minha cola
Fodasse
Ela não me suporta
MENTIRA
Ceis não são socialista
Ceis são socialite
Ceis não tem nível
Tão em pé de igualdade
O declive é alto
Tomem cuidado na queda
Afiem bem suas armas
Tomem posição pra guerra
Quem tem boca me vaia
Quem tem peito me enfrenta
É assim que funciona
O problema do sistema
Sou a falha perfeita
Na escala métrica do enredo
Quem escreveu meu personagem com certeza tinha medo
Medo da vida, e muito mais da morte
Pois se não eu tivesse tanto
Ou já tinha me matado
Ou tava fazendo malote
Se pá não é esse meu destino
Vim ao mundo concebido sem nada divino
Nem adivinha
Jogo dos 7 erros
E todos eles me apontam como acerto perfeito
Mas
Antes de falarem de mim
Porque não falam de si?
É tão difícil perceber que eu não sou tão ruim assim
Só sou humano
Mas se vocês não me enxergam
Eu não sou Logan Lerman
Então
Na sintaxe do problema
Não paguem o que não são
Eu cobro suas dividas
Com lágrimas, com dracmas com cédulas
Insepidas malditas
Eu não sou um agiota
Eu vim pra retribuir tudo que já fizeram
Me chame de Johnny blaze
E odeio blazer
Mesmo que digam que o diabo veste terno
Avisem:
Quando acordaram ele tava usando chinelo
REVOLUÇÃO DE UM HOMEM SÓ
Só sexo droga e rock and roll
É só fogo e pó
É só um tiro pra cada alvo
Talvez seja um aviso pra cada erro
Mas se há intenção já é pecado
A repressão começa na sua mente
Não nas ruas de asfalto
A labuta é dura igual calcário
Vivem presos como em poços de tártaro
Mas não há molho tartar nas refeição de sexta
Não há refeição nos sabados
Talvez não haja vida na próxima esquina
A fecundação chega igual flor que germina
O tiro vem ao peito como mentira
As lágrimas molham as dores e todas as flores
E os restos viram adubo na decomposição
É tudo um ciclo irmão
Somos a estatística
Do livro de geografia
Da próxima geração
Enquanto tô tu preso nas amarras do seu pensamento
Aquiles corre até a tartaruga e se lembra
Não somos mais os mesmos
Não somos mais pequenos
Eu sou a agulha no palheiro
Eu sou a fagulha da queima
Esse é apenas o início
O mundo ainda vai presenciar a vitória de quem nem tá lutando
Se preparem
Batam os tambores e as panelas
Atirem as pedras na janelas
Que se há Deus ele me escolheu
E eu não erro
ATO 3: CICATRIZES
Esse título remete a tudo que tenho a falar. Tudo são cicatrizes, mesmo que marcas boas e penso que, a melhor forma de expressar seu sentimentalismo ao mundo é decifrando ele nas linhas retas com palavras tortas para ver como si mesmo é.
NÃO, SOU SÓ. SOU SÓ EU
Durante toda noite
Faço-me ouvir os sussuros do silêncio
De lá sempre vem as melhores composições
As melhores percepções
No escuro enxergo a vida em plenitude
Ela é mais que vídeos no YouTube
Ou filmes na telecine
Na tela quente
Vence a tele sena
De frente a quarta parede
Mas mesmo assim
Posso vencer o mundo
Por dentro ainda sou eu
O frágil o falho estupido
O farto o lixo decrépito
Decretada minha sentença
Viver a sombra dos outros e das minhas poucas conquistas
Não tenho a cor certa pra outdoors
No meu tom é só da porta pra fora
Não tenho o sexo certo pra emoções
Com o que tenho entre as pernas
É só engolir choro e se afundar em droga
O problema nuncs esteve nos outros
Fui eu que fui fechado demais
Estranho demais
Minha reclusão não foi escolha
Foi autodefesa
As feridas na infância me fizeram pensar que
Me abrir
Me tornaria uma presa
E hoje sou isso
Desconfiança
Vícios
Perdido nos labirintos dos meus pensamentos
Essa ansiedade ainda me mata
Talvez pela primeira vez ela me salva
E meu funeral vai ser vazio
Não tenho tsntos amigos
Acho que nunca realmente se importaram comigo
Pra minha mina restará as saudades
Minha família restaria meus irmãos
Eles são muito mais foda
Eu só sou mais uma boca a ser alimentada
E não me encha com seu sarcasmo barato ou suas palavras de que eu importo
Eu sei que não
No mundo de vocês sou só mais um pião
E é assim que os dias se passam
A melancólica não me domina
Me mata
Se faz parte de mim
Deixem que ela me abrace
BOJAN
Deixa as ideias fluírem como nunca
Deixa as coisas rolarem
Talvez você escape dessa onda de problemas
Deixa as coisas fluirem como nunca
Deixa tudo rolar
Talvez você escape dessa vida
Se importar menos com o que já rolou e olhar pro futuro é a melhor escolha
Mas fazer o que se só da pra escolher entre uma desgraça e outra
É
To trocando o meu futuro pela angústia do presente
É
To vindo escrever as dores que ninguém mais sente
É
Talvez seja um vício que se impregnou em mim
E que eu não consigo ficar calado
Quando a vontade de escrever vem de repente
E é no repente
Não se arrepende de se envolver
Sei que eu não sou perfeito
Mas me engane e finja ser
E quando você entender
Não venha mais me procurar
O seu silêncio já vai me bastar
E quando você me ver
Na rua a andar
Não me siga nem me grite
Não sei onde vou parar
A minha virou caminhada torta
To escrevendo errado em linhas loucas
Mas nas bancas vendem os mesmos jornais
Na tv os mesmos comerciais
Os conflitos que eu assisto
São de 20 anos atrás
Então porque não posso errar
Porque não me deixar ser
Quem eu sempre sonhei
Se essa for a questão
Deixa que eu resolvo
Deixa os problemas fluírem como nunca
Deixa a vida rolar
Talvez você escape desses pensamentos
Deixa as coisas como nunca
Deixa tudo rolar
Talvez você escape dessas ideias
O inimigo mora na mente
Igual fragmentado
Eu vivo outra persona
Igual o Hulk
Meu nome não é Givanildo
Eu nunca fui herói
Nem nunca quis ser
Mas quando cai me disseram que falhei
Falhei com quem?
Nunca prometi nada
Nunca fui a revelação da temporada
E a culpa não é minha por me chamarem de Bojan
Mesmo querendo ser um kierkeegaard
E tudo termina em pizza
Ou ela sentando na minha pi...
OUTRA NEUROSE DE TERÇA
Abandonei toda a capacidade poética que tinha
Por me apaixonar pela escrita lírica
Me reprime em normas e dizeres do que era música
Matei meus anseios e capacidades pela busca de ser artista
Então se cale
Não pise nos próprios calos
Pinte meus momentos nessas suas telas
Deixa eu me afundar nessas suas pernas
Pessoas me fazem me sentir inútil
Situações do cotidiano um merda
Não sei pra que vocês tem tanta pressa
Não chegamos a lugar nenhum com guerras
Porque vocês querem tanto viver lá fora
Marte não é seu quintal
Lá não tem bola
Aqui nós não chamamos soccer
Só que
Eu ainda sinto dores
Do passado
Do presente
Do futuro
Dos furos nas meias
Que faziam machucados nos meus dedos todas segundas e quarta
Quinta eu sempre pensava em matar aula
Sexta me trazia o refrigério das belas tardes do momento
Mas eu ainda pensava em matar aula
África bambata
No senado a mamata
Em todos os sonhos alguém se mata
Ignore as mensagens e as placas
Na rodovia escura
Acelere até a sua mente ficar turva
Na curva
Veja na linha reta a saída da luta
Mas faça isso numa sexta
Já emenda
Porra
Imagina se matar numa quarta feira
Futilidade
Fatalidade
Vai passar nos jornais de toda cidade
Você virará manchete
Não uso machado
Mas que nem Assis inverto os vocábulos
Herói me fiz
Poeta sonhei ser
Poemas por mim escritos
Por ninguém lidos
Na lide diária
Crianças ainda tocam em armas
Mas só apresentar o papel e a caneta
Que elas vão se munir de palavras
ATO 4: ENTENDIMENTO
Entenda, não tem mais nem menos. Não tem início, nem fim. Não há nada. Só o vazio do tempo e do silêncio.
ENTENDA NEGUIN
Um cara disse pro Djonga
E uma vez ele falou
"A gente nasce sozinho e morre sozinho,
É
A gente nasce sozinho, e morre sozinho"
.....
Neguin entenda
Ninguém liga pra sua dor
Neguinho veja
Quem que vem secar seu choro?
Pra eles somos brutos demais
Burros demais
Não temos salvação
Somos reflexos do passado
Somos filhos de uma escravidão
Não tem nada que desça e te tire desse poço
Aprenda a escalar com as próprias
Não tem gente nem opinião
Que te tire os seus traumas
Feche os seus cortes
Os machucados até passam
As cicatrizes ficam na alma
Eles só olham pro seu tom
De fala
E suas atitudes na hora da raiva
Eles só escutam o que você fala
Quando é da boca pra fora
Neguin
Ninguém tá nem aí
Neguin
Ninguém se importa sua vitória
Se você vencer vários vencem
Eles dizem
Mas te negam a mão na sua derrota
Fazem seriado de nossa desgraça
Aaaa
Fazem drinks com nosso sangue
Eles se sentem em frente a TV nas noites
Pra assistir nosso sofrimento episódico
Pra esses caras de alma vazia
Seu surto sempre sera descontrole
Pra essas pessoas de rei na barriga
Não entendem sentido da fome
E não digo só da física
Não deixe sua mente vazia
Neguin
Aprenda a correr
Quando eles chegaram não vão ter dó
Neguinho
Quando vierem vai ser sem ré
Nisso tudo é só eu
Só nós
Contra um mundo de gente estranha
Ou de gente normal demais até ser careta
Não entendo
Se foi eu que me endireitei demais
Ou se foi o mundo que ficou igual vara bamba
CONVERSA COMIGO MESMO NAQUELA NOITE CHEIA DE VAZIOS INTELECTUAIS
Eu preciso de mais dinheiro
De mais amor e mais paz
A
Queria ser procurado igual soldado Ryan
Yank e Froid no resgate ao soldado brownie
Não vou ser roubado igual o alicate
Vou sumir igual o alicate
Morar em albacete
Espanha
Suas máscaras causam espanto
Eu sinto que estou cansando
Cansado eu me perco nos meus próprios braços
Me escondo naquela caverna
Platão sempre me acorda as 7
Me alimenta com uma boa paideia
Me faz acreditar em um reino governado por filósofos
Aaaaa
Quando me levanto
Vejo a lua pintada de sangue todos os dias
Mil dias e mil noites na minha tela
E eles continuam dizendo que ainda há esperança
Esse talvez seja o verdadeiro eu
Eles ainda dizem pra eu andar
Minhas pernas doem
Meus joelhos dobram
Nas esquinas de Marrakesh eu vi
Nos canais de Veneza
Não há nenhuma certeza
Eu sou isso
Vocês são tudo que eu perdi
No meio peito só
Só
Só o que sobra quando não há nada
ONDE É?
Onde são os belos vales que vejo ao fechar olhos na falta de ar
É pra lá que vou
Onde são aquelas ondas que batem quando corto tudo
É ali que me banharei
Eu me sentiria tão bem naquele lugar
Em paz
Eu percebo as cores derretendo igual quadro de van gogh
De lá da sala eu vejo o tempo derreter igual nas criações de Dali
Morrerei jovem igual basquiat
Me desculpe
Mas eu sou um neo Werther
E meu fim vai ser assim
Simples e monótono
Como num monólogo no espelho
Queria eu um refresco
Um sorvete de blue Ice
Enquanto ouvia uma música icu cube
Mas com as letra do Ice blue
Me si
nto pego pelo ICE
Preso igual saci nyma garrafa de ice
Eu até tento quebrar esse gelo
Mas ele é forte demais
As paredes são quase mágicas
Me perdoe
Eu não tenho saida deste quarto
Nem desta cama
Muito menos desta mente
Eu ainda sou meu escravo
Algoz
Carrasco e juíz
Nem Chico Buarque
Nem gal nem caetano
Nenhum me apraz mais
Eu perdi o valor da arte eu algum lugar
Passei a odiar aprender
E talvez
Seja como Odin
Eu tenha que me matar numa forca
Pra ver se eu tiro de mim
Essas ideias loucas