Sexta-feira, 02/02/2024
O Ariel acabou de sair, e eu estou muito preocupado com ele. O meu amor está correndo perigo.
Preciso levá-lo para bem longe.
Estou com muito medo da Hae-in aparecer. Sem as memórias do Min-jae, o Ariel não é páreo para ela.
O Victor sumiu. Eu sinto a presença dele, mas não consigo encontrá-lo em nenhum lugar da minha mente.
— Papai, preciso que me ajude. O senhor tem que me ajudar a sair do país. — digo firmemente.
— O Ariel é suspeito pela polícia. Ele não vai conseguir sair do país. — responde meu pai.
— Eu vou fugir. Não pretendo ficar nem mais uma semana aqui. — digo, decidido. — E o senhor vai me ajudar.
— Vai abrir mão dos negócios da família? — pergunta meu pai, sério.
— Que tal expandir? O senhor mesmo já falou em levar a fábrica para o exterior. — respondo.
Ele me encara por alguns segundos.
— Você está mesmo determinado, né? — diz, observando minha expressão firme.
O tempo passa...
E nada do Ariel voltar.
Pego o celular. Eu vi como o Victor mexia nele, e não é tão difícil fazer uma ligação.
Ligo para o Ariel.
Mas ele não atende.
Um aperto forte toma conta do meu peito.
Já é noite, e nem sinal do Ariel.
Estou desesperado. Nenhum dos seguranças responde às minhas mensagens.
Liguei para a mãe dele, mas ela não atende.
— Se acalma, filho. O Ariel está com a mãe. — diz meu pai, tentando me tranquilizar. — Com certeza ele a levou para dar uma volta... ela está muito abalada.
— Ele nunca ficou tanto tempo sem dar notícias. — digo, desesperado, tentando me levantar da cama.
— Ei, o que você pensa que está fazendo? — diz meu pai, me impedindo. — Você não pode sair da cama.
— Eu preciso ir atrás do Ariel! — insisto, aflito.
— Deixa de maluquice. Nem pense em sair daí. — repreende meu pai. — Eu vou mandar alguém procurar por ele.
De repente, uma enfermeira entra no quarto, visivelmente desesperada.
— Esse aqui não é o seu marido? — pergunta ela, aflita, virando o celular na minha direção.
Meu corpo gela.
Fico pálido no mesmo instante.
É um vídeo.
Ariel está amarrado a uma cadeira.
Desacordado.
— O que é isso?! — grito, em desespero. — Quem te mandou isso?
— Isso é ao vivo. Está acontecendo neste exato momento. — responde a enfermeira.
Meu coração dispara.
— O meu amor está em perigo! — grito, completamente fora de mim.
— Temos que chamar a polícia. — diz meu pai, nervoso, mexendo no celular. — Eles vão rastrear.
Não demora muito, e a polícia chega.
Eles começam a tentar rastrear o sinal.
É uma transmissão ao vivo.
E tudo o que aparece...
É Ariel desacordado, amarrado em uma cadeira.
De repente...
Ele surge na transmissão.
Meu corpo inteiro gela.
É ele.
O Devorador de Íris.
Vestido de preto, da cabeça aos pés, com roupas que escondem completamente o corpo. Um capuz cobre sua cabeça... e a máscara de caveira torna tudo ainda mais assustador.
— Ariel... — sussurro, horrorizado.
O Devorador de Íris para ao lado dele.
Ariel está imóvel.
Inconsciente.
Vulnerável.
— Vocês... são um bando de idiotas. — diz ele friamente.
Mas...
Algo está errado.
Eu conheço essa voz.
Meu corpo trava.
É feminina e muito familiar.
Meu pai arregala os olhos, em choque.
— Essa voz... — ele murmura, horrorizado. — É da irmã mais velha do Ariel.
Sinto o chão sumir sob os meus pés.
— Irmã...? — repito, incrédulo. — Do que o senhor está falando?
— Você não está reconhecendo? — insiste meu pai, aflito. — É a Ana!
Meu coração dispara.
Não.
Não pode ser.
De repente...
Ela leva as mãos até o rosto.
E retira a máscara.
É ela.
Ana.
O olhar frio.
Vazio.
Sem qualquer traço de humanidade.
— Vocês queriam tanto ver o meu rosto... — diz ela, com um sorriso cruel. — Pois aqui está.
Sinto minhas mãos tremerem.
— Então... é você... — digo, com a voz falhando.
Ela inclina levemente a cabeça para bem próximo do rosto do Ariel.
— Estou me revelando hoje... porque hoje é o meu último dia de vida.
Meu coração para por um segundo.
Ela puxa uma faca.
A lâmina está brilhando diante da câmera.
— Depois que eu matar o meu querido irmãozinho... — diz, aproximando a faca do pescoço de Ariel.
Meu desespero explode.
— NÃO! — grito, sem controle.
Ela sorri.
— Eu também vou desaparecer deste mundo.
Meu corpo treme.
Minhas mãos suam.
Eu não consigo respirar.
— Eles conseguiram rastrear! — diz um policial, aliviado. — Já estão a caminho!
— Então andem! — grito, desesperado, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Vocês precisam ser rápidos... antes que ela machuque o Ariel!
Olho novamente para a tela.
E tudo o que consigo ver...
É a lâmina cada vez mais próxima do pescoço dele.
— Como eu vou matar meu irmãzinho...? — diz ela, em tom quase brincalhão.
Ela começa a cantar baixinho... enquanto desliza a lâmina pelo pescoço de Ariel.
— Devo cortar a sua cabeça...? — continua, pensativa. — Ou... acho melhor fazer o que eu faço de melhor...
Ela sorri.
Um sorriso doentio.
— Arrancar os seus olhos.
Ela solta uma gargalhada.
— AAAAAAH! — grito, desesperado, dando um pulo da cama.
— Victor, se acalma! — diz meu pai, tentando me segurar.
— Ariel! Eu estou indo! — grito, fora de controle, tentando andar pelo quarto.
Mas minhas pernas...
Não respondem.
Estão fracas demais.
Cambaleio.
Perco o equilíbrio.
E caio.
Meu corpo bate contra uma mesinha, e o canto acerta em cheio o meu ferimento.
A dor é absurda.
Sinto os pontos se abrirem.
— AAH! — solto um grito de dor.
E então...
Caio no chão.
— Meu Deus! — grita a enfermeira, em desespero, junto com meu pai.
Eles correm até mim.
Mas já é tarde.
O sangue começa a se espalhar.
Rápido.
Demais.
Manchando o chão... os móveis... tudo.
Minha visão começa a escurecer.
Os sons ficam distantes.
Meu corpo... pesado e fraco.
Mas, mesmo assim...
Mesmo com tudo apagando...
Só existe uma coisa na minha mente.
Ariel.
Sinto meu corpo cair.
É como se eu estivesse despencando em um buraco escuro, sem fim.
De repente...
Algo segura minha mão.
Olho.
É o Victor.
Ele está pendurado, segurando-se com dificuldade em alguma coisa... e, com a outra mão, me impede de cair.
Ele segura firme a minha.
— Aguenta firme! — diz ele, com esforço.
Sangue escorre do seu ferimento.
Tento retribuir o aperto... mas não consigo.
Minhas mãos não respondem.
— Eu... não consigo mexer as mãos... — digo, com dificuldade. — Só as pernas...
Victor me encara, ofegante.
— Eu só consigo mexer as mãos. — responde ele, apertando ainda mais a minha. — Vamos ter que escalar juntos.
Antes que eu responda...
Algo acontece.
Uma onda de lembranças invade minha mente.
Imagens.
Vozes.
Sentimentos.
Não são minhas.
São dele.
— Do-hyun... — diz Victor, em choque, olhando para mim. — Eu estou vendo as suas memórias...
Meu coração dispara.
— Eu também... — respondo, incrédulo. — Estou vendo as suas...
As memórias se misturam.
Se entrelaçam.
Como se estivéssemos nos tornando um só.
— A gente precisa subir! — diz Victor, com urgência.
Assinto.
Forço minhas pernas.
Estico o máximo que posso... até conseguir apoio em algo.
Me firmo.
Victor usa meu corpo como suporte e começa a subir.
Sinto o peso.
Mas aguento.
Mais lembranças surgem.
A infância dele.
A solidão.
A frieza.
Memórias dele com Ariel.
Fecho os olhos.
As lágrimas escapam sem controle.
— Min-jae... — sussurra Victor, chorando.
— Ariel... — sussurro, com a voz quebrada.
De repente...
Tudo vem de uma vez.
Como uma explosão.
Até o dia do ataque.
Até o agora.
Sinto um formigamento nas mãos.
Um calor.
Uma força retornando.
E então...
Eu consigo mexê-las.
Abro os olhos.
Respiro fundo.
Mas...
Victor não está mais ali.
Estou sozinho.
Pendurado.
Mas, pela primeira vez...
Eu me sinto completo.
Inteiro.
As memórias da minha vida voltaram.
Aperto com mais força e começo a escalar.
Subo.
Sem parar.
Sem olhar para trás.
Até que, finalmente...
Alcanço o topo.
Domingo, 11/02/2024
Abro os olhos.
Estou me sentindo extremamente fraco.
As lembranças ainda estão vivas na minha mente... intensas demais.
As memórias da vida passada de Do-hyun se misturaram com as minhas.
Agora...
Victor e Do-hyun são um só.
Olho ao redor e vejo meu pai conversando com o médico.
— Pai... — digo, com muita dificuldade.
Ele se vira imediatamente.
— Filho?! — diz, desesperado, vindo até mim.
E então...
Eu me lembro.
Ariel.
Ele estava em perigo.
Meu coração dispara.
— O Ariel... — digo, já começando a me desesperar.
— Filho, se acalma... — pede meu pai, preocupado.
Mas eu não consigo.
— Onde está o meu amor? — pergunto, com a voz fraca, tentando me sentar.
Meu corpo não responde.
Não tenho forças.
Meu pai me olha com cuidado...
E isso só piora tudo.
— Filho... você precisa ser forte. — diz ele, hesitante.
Meu coração acelera ainda mais.
Um medo sufocante toma conta de mim.
— O que aconteceu com o Ariel?! — pergunto, já chorando.
Meu pai respira fundo antes de responder.
— A polícia foi até o local... — começa ele. — A localização indicava a mansão da família do Ariel.
Meu corpo gela.
— Foi encontrada uma passagem secreta no subsolo... — continua ele, ainda em choque. — Lá embaixo, havia armas... e vários itens ligados ao Devorador de Íris. Tudo com as digitais da Ana.
Sinto o desespero crescendo dentro de mim.
— Para de enrolar! — grito, com a voz falhando. — Eu quero saber... ela matou o Ariel?!
Meu pai fecha os olhos por um instante.
— Na verdade... ninguém sabe. — responde, em tom grave. — Assim que a polícia rastreou o sinal, a Ana encerrou a live. Quando chegaram ao local... não havia mais ninguém.
O mundo parece parar.
— Nem a Ana... nem o Ariel... nem a mãe deles. — continua ele. — Eles simplesmente desapareceram.
Sinto o ar faltar.
— Já faz uma semana...
— Uma semana?! — grito, em choque.
As lágrimas começam a cair sem controle.
— Ela matou o meu amor... — sussurro, destruído. — Ariel...
Tento me levantar da cama.
Mas meu corpo falha.
— Ariel! — grito, desesperado.
O pânico toma conta de mim.
Não consigo respirar direito.
Meu pai tenta me segurar, mas eu estou fora de controle.
A porta se abre com força.
As enfermeiras entram rapidamente.
Vejo algo sendo injetado no meu soro.
Minha visão começa a ficar turva.
Os sons se distorcem.
E, aos poucos...
Tudo escurece novamente.
Terça-feira, 11/03/2025
Já faz mais de um ano... e nenhum sinal do Ariel.
O meu amor continua desaparecido.
Mesmo com a polícia dizendo que as chances de ele estar vivo são baixas, eu nunca vou perder a esperança.
O Devorador de Íris já fez mais três vítimas... e a polícia ainda não conseguiu pegá-lo.
A Ana é uma metamorfa. Com esses poderes, é quase impossível capturá-la.
Ainda assim... eu consigo sentir magia.
E sei que vou perceber quando ela se aproximar, mesmo disfarçada.
A Ariana foi solta e agora responde em liberdade.
Assim como eu, ela não perdeu a esperança. Ela sente... no fundo... que o Ariel ainda está vivo.
A mãe deles agora é suspeita de ser cúmplice da Ana.
E eu...
Eu me sinto culpado.
Se eu não tivesse deixado ele ir... ele ainda estaria ao meu lado.
Todos os dias, eu choro de saudade.
Para não enlouquecer, mergulhei no trabalho.
Me tornei praticamente um workaholic.
Ficar ocupado me distrai... assim eu penso menos.
Ou pelo menos tento.
O Carlos finalmente conseguiu seguir em frente.
Ele até voltou a sorrir.
Eu vim para a Coreia do Sul fechar uma parceria com um empresário milionário coreano. Ele propôs expandir a fábrica para cá.
O problema...
É que o velho é insuportável.
Vive insistindo para que eu me case com a filha mais velha dele.
A filha, Han Seo-rin... consegue ser ainda pior.
Estou aqui há poucas semanas e essa maluca já disse que está apaixonada por mim.
Seo-rin é idêntica à princesa herdeira. Acho que é a reencarnação dela, que voltou para me assombrar.
Mesmo depois de eu deixar claro que sou casado com um homem...
Ela simplesmente não desiste.
Hoje é o dia da inauguração da fábrica.
Meu sócio quis fazer uma grande festa para comemorar.
E, como a filha dele é otaku, ela fez questão de que fosse uma festa à fantasia de anime.
O evento é enorme e aberto ao público.
Para minha surpresa... está sendo um sucesso.
As pessoas estão adorando a marca do meu refrigerante.
Isso deveria me deixar feliz.
E deixa...
Mas não completamente.
Estou no meio de uma multidão de pessoas fantasiadas...
Quando sinto um aperto no peito.
Ariel.
Estou fantasiado de Sasuke Uchiha.
Se ele estivesse aqui...
Tenho certeza de que estaria vestido de Sakura.
Sinto falta dele...
Sinto falta de ouvir ele me chamar de "Victor Uchiha".
Uma lágrima escapa, sem que eu consiga impedir.
Respiro fundo... e olho para frente.
Para a escadaria.
E então...
Eu vejo.
Alguém fantasiado de Sakura.
Meu corpo inteiro gela.
Aquela pessoa...
É idêntica ao Ariel.
O mesmo rosto.
O mesmo sorriso.
Os cabelos rosa caem perfeitamente sobre o rosto.
Ele sorri ao me ver.
Meu coração aperta.
Ele começa a descer as escadas... vindo na minha direção.
Meu peito dói.
Porque eu tenho quase certeza...
De que isso é só mais uma ilusão criada pela minha saudade.