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Manuscrito das três faces

miguelv341
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Vagantes condenados: Vast

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Vagantes condenados: Vast

A paisagem à frente era desoladora. Sangue fresco jorrava de seus inúmeros ferimentos; mesmo parado por pouco tempo, uma grande poça avermelhada já havia se formado sob seus pés. Sobre aquele solo amaldiçoado, vinte homens atacavam furiosamente um único indivíduo. A cada nova investida, de dois a quatro deles tombavam no combate, com seus corpos cortados em pedaços.

Ela olhou ao redor — uma mulher alta e majestosa, com a pele de um azul-escuro profundo, como se fosse feita do próprio veludo da noite. Seu corpo era coberto por detalhes brilhantes que lembravam as estrelas cintilantes do céu noturno. Seus pés, longos e graciosos, possuíam a mesma forma elegante e ágil dos felinos, enquanto ela caminhava suavemente em direção aos homens.

— Por… lutar… lutar… quê? Morrer… destinos… vocês… — disse ela, em um tom solene e desconexo.

Seu cabelo era uma cascata de fios escuros que se estendiam até suas pernas, ondulando e se movimentando como uma extensão viva de seu ser. Cada fio parecia possuir vida própria, dançando e se enroscando ao redor dos guerreiros, cortando-os impiedosamente.

Os homens a atacavam com ódio pelos companheiros caídos, com os olhos injetados de rancor. Eles avançavam, cuspindo insultos contra ela.

— Morra! Seu demônio maldito! Volte para as profundezas do inferno! — gritavam.

A mulher, que se mantivera em silêncio durante todo aquele tempo, lentamente se virou. O grupo de guerreiros entrou em alerta instantaneamente, e todos deram um grande passo para trás.

Àquela altura, a rocha cinzenta da montanha havia se tingido de um vermelho escuro. No pôr do sol, um último brilho irradiou sobre eles. Olhando o astro se pôr, ela riu levemente.

Carregava uma sabedoria ancestral de incontáveis séculos, tendo testemunhado os segredos do próprio universo. Erguia-se majestosamente contra o horizonte, estendendo sob si os corpos de seus inimigos — ou o que restara deles.

Projetando uma sombra ameaçadora que surgia diante de sua beleza, erguia-se uma fortaleza esculpida em pedra: as torres pontiagudas e os ornamentos delicados conferiam uma estrutura imponente àquela pilha de corpos.

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