Dez dias de luta é bastante tempo. A logística disso tudo ia ser complicada, nada de descanso.
Manuscrito das três faces
Vangantes condenados: rei da guerra
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Dez dias de luta é bastante tempo. A logística disso tudo ia ser complicada, nada de descanso.
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Vangantes condenados: rei da guerra
Passeando calmamente a passos saltitantes por um campo de batalha ensanguentado e repleto de corpos cortados pela terra, um homem alto de porte imponente arrastava uma espada longa e pesada, mas, estranhamente, a empunhadura da arma não possuía o revestimento habitual; em vez disso, estava envolta em faixas brancas. O corpo do velho guerreiro era marcado por inúmeras cicatrizes, testemunhas silenciosas de suas batalhas passadas. Longas orelhas se moviam junto ao vento, e longos cabelos prateados lhe desciam até o quadril.
Erguendo sua lâmina e repousando-a sobre seu ombro, um inquestionável eco se propagou aos quatro cantos como se cortasse o ar.
As lendas sobre esse antigo guerreiro já haviam se espalhado pelo mundo como um incêndio devastador. Seus atos heroicos, gravados na história, imortalizaram-no como o maior abaixo desta terra empunhando uma espada nos últimos séculos.
O auge de sua fama veio com a Batalha das Planícies Altas, onde ele enfrentou sozinho os quatro males deste mundo:
Taotie: o líder destas aberrações, um monstro grotesco e extremamente ganancioso, composto muitas vezes apenas por uma cabeça colossal e uma boca imensa.
Hundun: uma emanação física do caos primordial. Uma criatura gigante e peluda, sem rosto, olhos, orelhas ou boca, mas com asas.
Qiongqi: um tigre alado que devora humanos. Ele pune os bons e recompensa os cruéis.
Taowu: a besta gigante com corpo de tigre, dentes de javali e uma cauda absurdamente longa.
Naquele momento decisivo, uma tempestade de vozes grotescas reverberou no ar como um trovão, rugindo como um tigre faminto:
— Harian Vetus Gladius!
— Renda-se!
— Ajoelhe-se e reverencie-me!
— Único deus-rei!
Relâmpagos cortavam os céus, desintegrando tudo o que tocavam e tornando aquela terra em um terreno de mortos.
Mas o guerreiro, com um sorriso zombeteiro, deu-lhes uma resposta:
— Meus joelhos estão um pouco doloridos hoje... Vou ter que recusar sua proposta. Em vez disso, ofereço uma contraproposta!
— E qual seria?
— Por que vocês não se ajoelham perante mim? O que acham disso? — exclamou Harian.
Sem pronunciar mais uma palavra, ele empunhou sua lâmina com firmeza e a ergueu. A tensão no ar tornou-se quase sólida enquanto os colossos se encaravam.
Num movimento rápido e devastador, os quatro males desceram contra sua espada, gerando um choque entre as duas forças que formou uma onda capaz de rasgar a própria estrutura do espaço-tempo.
A colisão violenta deu origem a um colapso: uma massa infinita de energia que começou a devorar tudo ao redor, sem distinção. Construções, árvores, montanhas e rios foram engolidos por aquela força avassaladora antes que a anomalia finalmente se desfizesse, deixando para trás apenas o vácuo e o caos.
Mas a batalha estava longe de terminar.
O embate abalou os próprios alicerces da terra, um espetáculo que apenas os mais fortes teriam a audácia de testemunhar.
Por dez dias e dez noites ininterruptas, eles se enfrentaram sem trégua. Lâmina colidindo com o mal. Até que, finalmente, após esse período de carnificina incessante, as cabeças dos quatro rolaram pelo solo banhado em sangue.
Sobre a terra devastada, sob o olhar atento dos céus, o vencedor consagrou-se como o mais forte de todos. Naquele dia, nasceu o título que ecoaria pela eternidade: o Rei da Guerra, usando nada além de sua própria espada.