Imensidão em silêncio
Às vezes me encontro diante de mim mesmo como quem encara um oceano sem mapa.
Há em mim uma imensidão de sentimentos que não sabem caber em superfície.
São camadas tão fundas que ninguém alcança — ou talvez eu tenha aprendido a afundá-las sozinho, como quem protege um tesouro do próprio mundo.
Não sei ao certo se escondo o que sinto… ou se apenas aprendi a guardá-lo em silêncio para não verem sangrar aquilo que já foi ferido antes.
O amor, dizem, deveria ser simples.
Leve. Compreensível. Quase óbvio.
Mas o amor nunca me pareceu tão limpo assim.
Ele é confuso, contraditório, humano demais.
Ele escolhe pessoas que não fazem sentido, e ainda assim faz morada.
E o que é bom para uns, para outros é ruína — e mesmo assim ambos chamam de amor.
Talvez seja por isso que eu me perco:
porque amar não é uma fórmula, é um risco.
E eu já fui risco demais em lugares que não sabiam cuidar.
Hoje carrego o medo como quem aprende um novo idioma:
ele me ensina a recuar antes de cair,
a silenciar antes de sentir demais,
a esconder antes que descubram o que há de inteiro em mim.
Mas mesmo assim…
há algo em mim que insiste.
Uma imensidão que não sabe virar pequeno.
Um amor que não desaprendeu a existir — apenas aprendeu a esperar.
E eu sigo assim:
entre o que sinto e o que me protejo de sentir,
tentando descobrir se um dia alguém vai tocar essas profundezas sem me fazer naufragar.