Por uma fração de segundos,
pensei que me amava.
Havia, enfim,
um lugar onde eu parecia caber.
Eu amava
sem ser amada.
Sentia
sem ser sentida.
Olhava
sem ser olhada.
Conheciam meu sorriso,
mas nunca aquilo que o sustentava.
Sempre a tempestade,
nunca a calmaria.
Sempre depois,
nunca antes.
Então veio um gesto pequeno,
quase nada,
e eu o confundi com abrigo.
Não era amor.
Era apenas a ausência dele
vestida daquilo
que eu precisava acreditar.
Ainda assim,
acreditei.
Talvez porque algumas pessoas
não precisem de muito
para acreditar que finalmente
foram escolhidas.
Eu queria ser amada.
E, por querer tanto,
dei o nome de amor
àquilo que apenas
se parecia com ele.