Alice Moth, uma jovem bruxa verde de 22 anos, vive em uma pequena cabana na floresta "Tal Tal", junto com seus vários animais. Mais especificamente, 50, de todas as espécies que você consegue imaginar.
Desde pequena, Alice sempre soube que era diferente dos outros: no estilo, na forma de se expressar e de pensar. Não morava em uma cidade grande, mas também não era pequena. Porém, todos falavam sobre sua família.
A famosa família Moth. Uma família de refugiados que fugiu da Alemanha quando a guerra estourou. Mas não é o passado e a história dos mais velhos que faz as pessoas ficarem inquietas. E sim o rumor sobre a conexão deles com o mundo espiritual. Seus bisavós tinham uma loja própria. Vendiam livros, ervas, pedras, pingentes, etc. O estereótipo perfeito para serem acusados e queimados. Mas não estavam na época da caça às bruxas, então os rumores permaneceram como rumores.
No entanto, a maioria não sabia. E outros simplesmente escolhiam ignorar que eles realmente praticavam bruxaria. Mas a verdadeira, ou seja, a da terra. Tudo o que envolve a natureza era de conhecimento da família Moth
A mãe de Alice, Milena, ao invés de continuar com o negócio da família, reformou a loja para virar uma "Alquimia Verde". Uma loja onde se vendia apenas ervas: para chás, remédios, cheiros, e para certas pessoas, até mesmo feitiços.
Alice era uma criança muito avoada. Sempre presa em seus pensamentos e em suas histórias em quadrinhos sobre 2 bruxas que desbravam a floresta juntas em busca de aventura.
Ia de manhã para a escola e passava a tarde na floresta, conversando com plantas, animais e sozinha, pois era "esquisita" demais para ter pelo menos 1 amigo.
Mas isso não a incomodava, pois amava ir todo dia na floresta, afundar seus pequenos dedos pálidos na lama molhada e sentir sua energia voltando para o corpo. Sua mãe sempre dizia: "A natureza é a nossa casa, e devemos preservá-la". Por isso, Alice sempre a tratava muito bem. Até melhor que a mãe. Ou era apenas o comportamento de uma pré-adolescente.
Sempre praticava pequenos feitiços. Até escreveu um diário para todos eles: "Crônicas da Magia da Terra". E, claro, inventou nomes para todos: "Sussurro do Vento das Folhas", "Bênção do Broto Veloz", "Pó de Invisibilidade da Samambaia", "Passo Leve do Musgo Verde", e muitos outros.
Alice nunca teve amigos. Sempre era a que sobrava na escola. Se formou sozinha, sem ter um grupo para chamar de seu. Mas isso nunca a incomodou de verdade. Claro, às vezes se sentia sozinha, mas sempre levava uma planta na bolsa para conversar, ou algum livro de feitiço ou fantasia para adentrar nesse mundo e esquecer o real.
Fez faculdade de Botânica, claro. Morou com a mãe até conseguir um emprego em uma loja de músicas. Outra paixão de Alice, que, incrivelmente, começou a explorar com 15 anos. Fazia canções sobre a natureza, expressando seu amor, sua devoção e admiração por aquela mãe que sempre a abraçava.
Se mudou para a tal cabana. Começou a adotar vários bichos de rua e de canis: cachorros, gatos, tartarugas, pássaros, lagartos, e até mesmo cobras.
Vivia uma vida simples em sua cabana. Sua rotina era baseada em trabalhar até o meio-dia, cuidar dos seus animais e ir para a floresta praticar algo novo. Mas isso tudo mudou quando usou seu feitiço "Sussurro do Vento das Folhas", pois já tinha percebido que a floresta se comportava de uma forma diferente há um tempo.
A mensagem que recebeu foi que algo estava naquela floresta, sugando sua energia e a consumindo aos poucos.
Alice chamou sua mãe para a casa. Tinha colocado na cabeça que tinha que salvá-la a todo custo. Não poderia deixá-la morrer assim, sem nem ao menos tentar.
Milena ficou para cuidar dos animais. Pegou umas férias pelas tantas horas extras feitas. Alice juntou seu diário com seus feitiços, seu cajado com suas pedras de proteção, sua bolsa e pochete, e alguns alimentos. Claro, todos veganos.
Agora, uma jovem de 22 anos perambula pela floresta em busca de respostas e de um broto de esperança em seu coração, de que vai conseguir salvar sua mãe natureza.