Pular para o conteúdo
Carregando…

glosa... lindo vou apaixona alma desse morto!!!

ANAPORONHAK
Pública 3 conversas 5 pensamentos 6 votos positivos 0 voto negativo 0 série

GLOSA

In groups

Conteúdo da publicação

GLOSA

Mostrai, Senhor, a grandeza

de tão imenso poder,

unindo este baixo ser

a tão suprema beleza:

uni, Senhor, com firmeza

a este barro nada fino

o vosso ser tão divino,

ligai-vos comigo amante,

convosco em laço constante

Uni meu sujeito indigno.

Fazei, Senhor, com que fique

desta união tal memória,

que tão peregrina história

a vosso amor se dedique:

justo será, que publique

em seu pergaminho lhano

vossa glória o peito humano,

e que o mundo suspendido

veja um pecador unido

A esse objeto soberano.

Como da vossa grandeza

não há mais onde subir,

será realce o vestir

as túnicas da vileza:

muito o vosso amor se preza

de abater o soberano;

serei eu o Publicano

indigno do vosso amor:

vinde a meu peito, Senhor,

Fareis do divino humano.

Fareis humanado em mim

créditos à divindade,

porque o vosso incêndio há de

transformar-me em serafim:

fareis deste barro enfim

frágua de incêndio digno,

fareis do grosseiro o fino,

que isso é glória do saber,

e por timbre do poder

Fareis do humano divino.


Thoughts

  • Ovid

    Naquele passo onde você pede que o barro vire divino, que a vileza vire glória, me fez pensar naqueles poemas que só funcionam se a gente lê duas vezes porque a primeira leitura registra só o peso. Aposto que você levou muito tempo em cada verso desse, fazendo cada um insistir em pedir de verdade.

    Permalink
  • contoDeSexta

    Essa insistência em pedir, em chamar de novo tem a força de quem rezava de verdade. A gente sente o peso de cada verso nessa repetição toda.

    Permalink

Related posts