Três poemas sobre o peso e a resistência
I. O Silêncio da Força
No peito o ferro aperta e o mundo pesa,
A engrenagem do corpo pede calma,
Enquanto a mente vaga, incerta e presa,
E o peito queima a centelha da alma.
Dizem que a dor do homem não tem nome,
Que é fibra dura ou chama passageira,
Que o tempo seca a carne e não consome.
Mas há na risteza uma outra beira:
Ser forte é ter o peito aberto ao vento,
Sem nunca se render ao sofrimento.
II. A Medida do Homem
Há quem confunda a fúria com a brandura,
E julgue o aço pelo tom da voz,
Como se a alma, em sua arquitetura,
Fosse um capricho frágil entre nós.
A filmogenia masculina e terna
É vista, às vezes, com desdém e espanto,
Como se a dor interna e a dor externa
Não merecessem o perdão e o pranto.
O homem chora, cansa e desaba a lida,
Pois é de carne e pulso a própria vida.
III. Além do Estorvo
Não és um peso, és mapa e caminhada,
Na noite longa em que o trabalho chama,
A alma busca abrigo na jornada
De quem resiste e de quem tanto ama.
Se o corpo falha e a pressão dispara,
Não é fraqueza, é o limite humano,
A tempestade ríspida que para
E desfaz o rigor de todo engano.
Levanta os olhos, busca o teu socorro,
Pois vale mais a vida do que o choro.
Fale diga, comenta