encontrar alguém diante de quem até os nossos silêncios mais pesados deixam de ser uma solidão. exatamente. fico com essa
Eu dividiria os segredos que a vida colocou nas minhas mãos. Spoiler
Não porque eles deixaram de ser segredo.
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encontrar alguém diante de quem até os nossos silêncios mais pesados deixam de ser uma solidão. exatamente. fico com essa
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Não porque eles deixaram de ser segredo.
Mas porque algumas verdades pesam tanto que parecem alterar o equilíbrio de quem as escuta.
Existem confissões que não terminam quando são ditas.
Elas continuam vivendo dentro de quem as ouviu.
Como uma chave sem porta.
Como uma carta que nunca poderá ser lida em voz alta.
Como uma chama pequena que precisa permanecer acesa sem que ninguém a veja.
Guardar um segredo é um ato de confiança.
Mas também é uma forma silenciosa de responsabilidade.
Porque, às vezes, alguém deposita nas nossas mãos uma parte da própria vida e vai embora sem perceber que deixou também um pedaço do próprio peso.
Há silêncios que respiram.
Eles nos acompanham no caminho de volta para casa.
Sentam conosco durante o jantar.
Aparecem no meio de uma madrugada qualquer.
Não porque queremos contá-los.
Mas porque algumas verdades continuam fazendo eco mesmo quando ninguém mais está falando.
Eu dividiria esse silêncio apenas com alguém que compreendesse que existem histórias que não nos pertencem.
Alguém que não perguntasse por curiosidade.
Que não transformasse a dor de outra pessoa em assunto.
Que soubesse a diferença entre conhecer um segredo e merecê-lo.
Porque existem pessoas que sabem ouvir.
Mas são raríssimas as que sabem guardar.
E guardar não é esquecer.
É proteger.
É vigiar uma memória que nunca será nossa, mas que, por alguma razão, nos foi confiada.
É carregar um pedaço da fragilidade de alguém sem usá-la para aproximar, afastar ou controlar.
Como quem segura um pássaro ferido.
Não para prendê-lo.
Mas para que ele sobreviva até conseguir voar novamente.
Talvez seja por isso que os segredos tenham tanto peso.
Eles nos lembram que toda intimidade verdadeira exige uma ética invisível.
A de saber que nem tudo o que nos é revelado nos foi dado para ser compreendido.
Muito menos repetido.
Eu só dividiria esse silêncio com alguém em quem eu confiasse a ponto de saber que ele entenderia que, dali em diante, o segredo continuaria inteiro.
Porque não seria uma conversa.
Seria uma vigília.
Duas pessoas protegendo a mesma ausência de palavras.
Dois corações sustentando aquilo que não pode encontrar a luz.
E talvez amar também seja isso.
Encontrar alguém diante de quem até os nossos silêncios mais pesados deixam de ser uma solidão.
Alguém que compreende que algumas verdades não precisam de voz.
Precisam apenas de um lugar seguro para continuar existindo.
Thoughts
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Permalinke quando você guarda um segredo de alguém mas sente que aquela pessoa está se destruindo por dentro, você fala ou fica em silêncio?
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Permalinkencontrar alguém diante de quem até os nossos silêncios mais pesados deixam de ser uma solidão. exatamente. fico com essa
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Permalinkque silêncio bonito do que você tá descrevendo. parece tão diferente do isolamento, é mais como estar protegendo junto
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Permalinka imagem do pássaro ferido é bem isso, não é controlar nem soltar, é só deixar vivo. poucas pessoas conseguem fazer isso
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Permalinktem gente que ouve segredo mas depois solta na primeira fofoca. como você sabe se a pessoa merece mesmo ouvir?