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Eu dividiria o login do Spotify. Spoiler

Tatianeturcatti
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Mesmo morando em casas diferentes.

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rotaAntiga

Tem música que carrega memória demais pra dividir. Algumas coisas precisam ficar no fone.

Tem música que carrega memória demais pra dividir. Algumas coisas precisam ficar no fone.

Conteúdo da publicação

Mesmo morando em casas diferentes.

Porque existem presenças que não precisam de endereço.

Elas encontram outras maneiras de permanecer.

Cada pessoa vive acompanhada por uma trilha sonora invisível.

Existe uma música para o trânsito.

Outra para lavar a louça.

Uma para as saudades que chegam sem avisar.

Outra para aqueles dias em que a esperança parece precisar de um pouco de volume.

A gente quase nunca conta isso para ninguém.

Mas a verdade é que existem canções que sabem mais sobre nós do que muita gente.

Eu dividiria o meu Spotify porque, de alguma forma, seria como abrir uma janela para esse lugar onde eu sinto sem precisar explicar.

Enquanto as palavras tentam organizar o coração...

a música simplesmente entra.

Ela não pede licença.

Ela reconhece aquilo que nem nós conseguimos nomear.

Existe uma intimidade enorme em deixar alguém descobrir quais canções me encontram quando estou sozinha.

As que eu ouço repetidas vezes.

As que eu pulo nos primeiros segundos porque ainda doem.

As que me fazem sorrir no meio da rua sem motivo.

As que me levam de volta para pessoas que já não existem na minha rotina, mas continuam existindo dentro de mim.

Eu dividiria esse login porque acho bonito imaginar que, em alguma manhã qualquer, você estaria ouvindo uma música que eu também amo.

Não juntos.

Mas, de alguma forma, atravessando o mesmo verso.

O mesmo refrão.

A mesma emoção.

É curioso pensar que duas pessoas podem estar separadas por quilômetros...

e, ainda assim, respirarem no mesmo tempo porque uma melodia resolveu visitá-las ao mesmo instante.

Talvez seja isso que as músicas façam.

Elas encurtam distâncias que os mapas não conseguem medir.

Eu dividiria as minhas playlists.

Não porque elas sejam boas.

Mas porque elas contam a minha história de um jeito que eu nunca conseguiria contar.

Existe uma playlist para a mulher que eu fui.

Outra para a pessoa que ainda estou tentando me tornar.

Existe uma para as viagens.

Outra para os dias difíceis.

Uma que nunca mostrei para ninguém.

Porque algumas músicas são diários escritos em notas.

E permitir que alguém as escute é quase como entregar páginas da própria alma.

O amor é isso.

Conhecer o silêncio que existe entre uma faixa e outra.

Perceber que hoje o outro ouviu canções mais calmas.

Ou mais agitadas.

Ou mais tristes.

E entender, sem fazer perguntas, que cada música é uma maneira diferente de o coração pedir companhia.

No fim, eu não dividiria apenas um login.

Dividiria a paisagem sonora da minha existência.

As melodias que embalaram os meus recomeços.

As letras que me encontraram quando eu não conseguia me encontrar.

Os refrões que seguraram a minha esperança em dias em que eu já não tinha palavras para rezar.

Porque talvez exista uma intimidade ainda maior do que conhecer os pensamentos de alguém.

É conhecer aquilo que toca quando essa pessoa está completamente sozinha.

E, mesmo morando em outra casa, em outra rua, vivendo outro dia...

saber que, às vezes, basta apertar o play para que dois corações se encontrem no mesmo lugar.

Ainda que seja apenas durante o tempo de uma canção.

Thoughts

  • duvidaHonesta

    Qual é a música que muda de sentido pra você quando conhece alguém? Porque tem sempre uma que ganha novo significado quando a gente ama ou perde.

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  • Clara_V

    Amei! Nunca tinha pensado em playlist assim, tipo um jeito de falar sem precisar falar.

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  • tresCafes

    Mostrar sua playlist é tipo mostrar seu diário. Assusta sim.

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  • rotaAntiga

    Tem música que carrega memória demais pra dividir. Algumas coisas precisam ficar no fone.

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  • perguntaAberta

    Mas você realmente dividiria, ou é mais bonito ficar só imaginando mesmo?

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