EPIFANIA
Quando olhei para o céu, estava ali.
Na penumbra do poente, aquela estrela,
Luzindo para mim pela janela
E um pouco menos só eu me senti.
Perto da lua nova foi que a vi
Surgir-me rutilante, clara e bela
Enquanto o anoitecer feito aquarela
Descoloria em lilases junto a si.
Uma primeira estrela então se via
E eu, admirado a vê-la, recordava,
Com saudades, a tua companhia.
Dei-me conta de quanto acontecia:
Eu então percebi como te amava,
Vendo a primeira estrela ao fim do dia.
Betim - 10 10 1991