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Entre o Medo e o Amor

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Pensamento

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sofadasala

Pedir carinho sem pedir desculpa junto é o que mais demora pra aprender. Parece escrito num dia em que você conseguiu, e quis deixar anotado.

Pedir carinho sem pedir desculpa junto é o que mais demora pra aprender. Parece escrito num dia em que você conseguiu, e quis deixar anotado.

Conteúdo da publicação

Às vezes, eu queria conseguir calar essa voz que mora dentro de mim e pergunta, sem descanso: “Será que sou suficiente? Será que alguém pode me amar sem se cansar das minhas dúvidas?”

Eu tento parecer segura, mas há dias em que meu coração se esconde atrás do silêncio. Tenho medo de ser demais, de sentir demais, de precisar demais; medo de mostrar minhas partes frágeis e descobrir que elas assustam quem eu amo.

Mas talvez amar não seja nunca sentir medo. Talvez seja olhar para o medo e, ainda assim, escolher a verdade. É dizer “isso me machuca”, pedir colo sem vergonha e ouvir “eu fico” sem transformar essa promessa em prisão.

O que é amar? Será sentir o mundo mudar de cor quando alguém chega? Ou é cuidar mesmo quando o encanto não resolve tudo, quando aparecem diferenças, limites e conversas difíceis?

Talvez amar seja enxergar alguém por inteiro: com luz, sombra, coragem e confusão — e não exigir que essa pessoa desapareça para caber no nosso desejo. É caminhar lado a lado, sem apagar o próprio caminho; é oferecer a mão, não uma corrente.

E o que seria felicidade? Talvez não seja estar sempre sorrindo, nem viver sem perguntas ou tristezas. Talvez seja poder respirar em paz perto de alguém — e também quando se está só. É ter um instante em que o peito descansa, uma risada que escapa sem pedir licença, um carinho que não cobra que a gente seja perfeita.

Será que o amor é para todos? Eu quero acreditar que sim, mas talvez ele não chegue igual nem na hora que esperamos. Às vezes vem de alguém que nos acolhe; às vezes, começa devagar, quando aprendemos a não nos abandonar.

Porque eu não deveria precisar me tornar outra pessoa para merecer cuidado. Não preciso esconder cada falha, nem vencer todos os medos antes de ser digna de amor.

E, quando a insegurança disser que sou difícil demais para alguém ficar, quero lembrar: ser humana não me torna impossível de amar. Meu coração pode tremer, minha voz pode falhar, e ainda assim há beleza em mim.

Talvez o amor não prometa que nunca vamos nos ferir. Talvez prometa apenas respeito, presença e vontade de cuidar — sem perder a liberdade, sem deixar de ser quem somos.

E talvez a felicidade seja isso: não encontrar alguém que nos salve, mas alguém com quem possamos existir sem pedir desculpas por sentir. E, enquanto esse encontro não vem, aprender a ser abrigo para nós mesmas — um coração inseguro, sim, mas ainda aberto à possibilidade de amar.

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  • sofadasala

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Às vezes, eu queria conseguir calar essa voz que mora dentro de mim e pergunta, sem descanso: “Será que sou suficiente? Será que alguém pode me amar sem se cansar das minhas dúvidas?”

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