Um pensamento solto, numa manhã chuvosa de sexta-feira.
É sabido que não há medicação livre de efeitos colaterais. Alguns não podem ser utilizados com frequência pois afetam os rins; outros, o fígado. Aumento de fome, diminuição de libido, sonolências, tonturas. A lista é extensa.
E de outro lado temos uma demanda a ser combatida. A medicação psiquiátrica é a arena ideal para medirmos a relação entre cuidado versus reações adversas.
Nem toda medicação psiquiátrica afeta libido; algumas bulas, inclusive, relatam que tanto podem ocorrer aumento quanto diminuição desta. Existe uma gama de medicação neutra quanto a isso, também. O apetite pode ser afetado para cima ou para baixo. Outras tantas exigem cuidado com a questão hepática, e outras com relação a coração.
E questões psiquiátricas exigem constância e multidisciplinaridade. Para a maioria dos casos a psicoterapia e atividades físicas e de lazer elaborados precisam fazer parte do tratamento. Nenhuma medicação resolverá a questão em 30 dias: algumas precisam deste período exatamente para iniciar resultados.
O que se deve pesar para aqueles que fazem acompanhamento psiquiátrico é relacionar o preço dos efeitos colaterais e os esforços para manter dieta e atividade física, por exemplo, contra o custo de não usar a medicação.
É uma tarefa e tanto, e por isso muitas pessoas abandonam o tratamento logo nos primeiros meses.
Um adendo, que para alguns leitores pode ser o fechamento perfeito do texto: o médico psiquiatra não pode ser somente um prescritor; ele precisa ir além dos remédios, e informar claramente o que se deve esperar quanto a prazos de primeiros efeitos, tanto quanto os efeitos colaterais. Infelizmente não são muitos com esta transparência e cuidado na clínica.