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Ela

Ingridvale
Pensamento

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Tiao

Gostei do jogo do ímpar com o par perto do fim, a beleza sobrando e o canto faltando.

Gostei do jogo do ímpar com o par perto do fim, a beleza sobrando e o canto faltando.

Conteúdo da publicação

Ela

Um passarinho preso em uma gaiola,

com suas penas douradas.

Um canarinho.

Ela o olhava, reluzente,

inebriada por sua beleza,

por seu canto peculiar,

um canto único,

particular.

E ela conversava com ele,

versado em sua arte de cantar.

Ela queria ser como ele.

Mas, mesmo sendo como ele,

ela não sabia cantar.

Um passarinho preso em uma gaiola.

Um canarinho.

Era tudo o que ele era.

Era tudo o que ela era.

Mas você a via sorrir

e até imaginava

que ela sabia cantar.

Ela fingia bem.

E como fingia!

Com suas penas douradas,

todos por ela se encantavam:

uma beleza ímpar,

com seu canto par,

um canto peculiar.

Mas você sabia quem era ele?

Você sabia quem era ela?

Um canarinho

que não sabia cantar.

Ingrid Vale

Thoughts

  • Simao

    Fica a sensação de que ela nem queria tanto cantar. Queria era que olhassem para ela como olhavam para o canário.

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  • Tiao

    Gostei do jogo do ímpar com o par perto do fim, a beleza sobrando e o canto faltando.

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  • Ovid

    Um canarinho dourado que não sabe cantar, e todo mundo em volta jurando que sabe: me fez pensar em quanta gente a gente admira justamente pelo que finge bem. Aposto que esse poema nasceu da última linha e foi voltando até a gaiola. E essa troca entre ele e ela no fim deixa a dúvida boa de serem um só.

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Ela