Eu sempre quis ser o seu Neymar, mas cê nunca correu pela minha Bruna...
Aprendi com as dores do 7x1, a ser um Doutor Sócrates na tribuna.
Do Garrincha, eu sei, só herdei o vício que tá na garrafa...
Fui burro igual o Gatito, só três palavras na minha pauta: "EU TE AMO" e o peito abafa.
Real resistência de zagueiro raiz, mas contigo sou várzea, perco a postura,
Treinei anos pra ser o seu Camisa 10, hoje eu sou o reserva que a torcida vaiou na linha de fundo escura...
Mas... Meu pai? Meu pai zicou a minha chuteira, maldição de família,
Mesmo sem a força do CR7, eu vi nele o Rei Pelé, meu guia na trilha.
Eu corro mais que lateral, sou mais preguiçoso que o Valdivia em campo,
Nunca desisti do meu sonho, igual Maradona atrás do acalanto,
Mas na real, não nasci pra ser campeão não, o topo tá gasto...
Eu luto, eu tento, mas no fim da rodada eu me fodo igual ao Vasco...
Lidei com demônios internos, cansaço,
Pressão de final de Copa explodindo no peito a cada pedaço.
Acho que é por isso que eu nunca desacreditei na mística do manto,
Mas tenho medo de por teu nome na escalação e o rebaixamento virar meu pranto.
Admiro o Messi, mas tenho o orgulho do Romário e a fraqueza do Íbis na minha jornada,
Acho que nasci pra ser o Neymar de 2010, e você é a trave que barra minha jogada.
Às vezes penso que cê é de outra liga, outro planeta, outra farsa...
Eu gosto de você o quanto o Galvão gosta do Ronaldo, parça!
Mas me perco na sua retranca de futebol europeu, nó tático que consome,
Mesmo o técnico mudando o esquema, eu morria pelo seu gol, defendendo seu nome...
Cê sempre foi a Libertadores, obsessão eterna que o peito apela,
Mas o beijo desse artilheiro foi cartão vermelho, expulsão direta da tela.
Dentre todos os clássicos do mundo, você sempre foi o meu Grenal,
Mesmo no meio do caos e da briga, o sentimento ainda é real...
Tão esperta e cirúrgica quanto a tática do Guardiola,
Pena que no fim desse jogo, eu saio rebaixado, sozinho e sem a bola.