— Oi!
— Oi...
— Quem é você?
— Sou nada.
— Nada?
— Sim. Nada.
— Mas como pode alguém ser nada?
— Não sei. Eu só sou.
— Isso não faz sentido! O que você é?
— Sou nada.
— Então você é alguma coisa.
— O quê?
— Nada!
— Mas como o nada pode ser algo?
— O que é o nada?
— A ausência de alguma coisa...
— Então você é alguma coisa.
— Sim, sou nada.
— Viu? Você admitiu que é algo!
— Mas... mesmo que uma ausência?
— O nada nunca vai ser exatamente nada.
— Mas o nada não é nada...
— Para algo ser ausente do outro, ele precisa existir. Inclusive o nada.
— Eu queria poder me sentir como algo...
— Tá tudo bem. Você vai. Quer tentar de novo?
— Quero.
— Oi!
— Oi...
— Quem é você?
— Sou nada.