DIA A DIA
Ele faz em claridade.
Quando noite,
que atormenta,
enlouquece,
como pesadelos
que nunca param.
Como máquina do tempo,
ou até mesmo
bobina de foto
ou filme,
rolo tão grande.
Partes queimam,
outras rolam.
Imagem
clara e perfeita.
Passado que não volta mais.
Amigos não se veem mais,
amigos que eu aproveito.
Ninguém tira,
mas não quero ter saudade
de algo que não volta.
Risada ou sorrir,
mas volta o tempo
como fio de pipa.
Vem, vem enrolando.
Assim são mágoas
que se revelam.
Sonhos,
inveja, ciúme,
adultério, impureza.
Meu crânio,
ele foi o melhor filme
de memória.
Hoje quero
queimar filme.
Nomes, cheiros e voz,
apenas.
Estou com 37 anos.
Busco caminho,
sozinha,
para descobrir
clareza que meu dia,
clareza que angustia.
Tanta coisa que se filma,
tão teatro, tantos personagens,
como as tias das perucas
coloridas.
Mas, no fundo,
só busco um jeito
de voar e compreender
a maldade alheia.
Tudo escute
no filme meu coração.
Certo, ele bomba,
está quase explodindo,
porque entende,
porque olha para trás,
faz querer desistir
ou morrer.
Porque filme
é história,
minha ferida,
meu saber, entender,
evoluir.
Então estou aprendendo
a deletar o que já faz
parte da história.
Presente e futuro.
Apenas me olho e observo,
como o dia está lindo.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho