Nossa, como é difícil começar. Hoje é o primeiro dia que venho aqui para escrever, há muito não fazia isso. Que saudade de quando as coisas não eram só um storie de 30 segundos ou um áudio no 2x. Chegamos a realidade do filme "Click" - sou desse tempo. Tudo rápido demais, acelerado, para chegar logo ao fim e ao começo da próxima coisa que estar por vir, que também será acelerada para chegar logo ao fim.
Acho que acelerei demais.
Vamos começar do Presente (da conjugação de tempo, que expressa uma ação que acontece no momento da fala, hábitos ou verdades universais), e não do fim.
Cheguei ao 73º dia após a descoberta do meu câncer. 7º dia após a primeira sessão de quimioterapia.
O meu é dos clássicos, câncer na mama. Um tipo novo até, o tal do triplo negativo.
Pausa pro suspiro e reflexão.
Sempre que paro para pensar (ppp) que estou com essa doença eu dou um suspiro. É como se um curta-metragem da minha vida passasse pela minha cabeça. Tudo que fiz ou deixei de fazer para chegar até aqui e voilà, a doença do século.
Não posso ser hipócrita e dizer que sempre fui saudável, não não. Ainda investigo se há causa genética, apesar de não ter histórico na família (apesar de eu suspeitar que sou adotada, o que deixaria o histórico sem relevância alguma). Assumo a culpa, totalmente minha. (Maus) Hábitos, (má) alimentação, (ausência de) atividades físicas, tudo caminhou para isso. Não posso dizer que 3 anos almoçando CupNoodles não me levaram a isso - mas isso eu conto em outro dia.
De volta ao Presente, hoje é o 7º dia da minha amiga Kimmy (pensei nesse apelido ridículo agora) e ela veio com tudo. Já havia conversado com outras pessoas que passaram pelo mesmo ciclo de amizade e me disseram que era bem ruim. Ruim?! Como foram generosos. Apresentei dezenas de reações adversas previstas e mais uma que a medicação nem descreve, hipotensão. Alguns artigos demonstram a relação, mas esse eu não estava esperando porém, veio com tudo. O normal da minha pressão é 12/8, esse é o meu normal, sempre foi, nem para menos nem para mais, 12/8, é o meu padrão de normalidade, é como o meu corpo funciona, o meu. Ontem passou o dia oscilando, chegando a 9/6. Loucura, o pé bem geladinho, a cabeça começa a entrar em parafuso, pausa para a crise existencial com choro compulsivo até meu marido vir me acalmar igual a quem consola uma criança de 3 anos que não quer tomar banho. A noite a pressão subiu para 11/7 e consegui sair para o grupo de oração da Igreja. Rezei o terço tão focada que só Deus e Nossa Senhora sabem o que quanto pedi pela minha vida. Minha cara não estava das melhores, mas dei o meu melhor. Sempre o meu melhor para Deus.
Voltei para casa e a pressão estava em 12/7, quando fui dormir já estava em 11/7, hoje acordei com ela em 9/6, então só aceitei. Esse deve ser meu novo normal.
Ok, acho que é o bastante para aliviar os pensamentos por enquanto.