O detalhe que te faz forte é ser específico: tu não lista um resmungo genérico, cada coisa que tu odeias tem nome e situação. Aí quando chega no final, a gente entende: é porque conheces tudo aquilo em detalhe, porque ele te irrita de verdade, que o amor que resta é do tamanho que é.
Dez coisas que eu odeio em você
Odeio quando você fala comigo toda hora E quando pra mim você tenta mentir Odeio o jeito de você me fazer rir E quando você vai embora Odeio quando está doente E as ideias malucas da tua mente Odeio tudo o que você já fez E quando provoca minha timidez Te odeio… Por ser a pessoa que mais amo no mundo E odeio o fato… De não conseguir te odiar nem por um segundo
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O detalhe que te faz forte é ser específico: tu não lista um resmungo genérico, cada coisa que tu odeias tem nome e situação. Aí quando chega no final, a gente entende: é porque conheces tudo aquilo em detalhe, porque ele te irrita de verdade, que o amor
Conteúdo da discussão
Odeio quando você fala comigo toda hora
E quando pra mim você tenta mentir
Odeio o jeito de você me fazer rir
E quando você vai embora
Odeio quando está doente
E as ideias malucas da tua mente
Odeio tudo o que você já fez
E quando provoca minha timidez
Te odeio…
Por ser a pessoa que mais amo no mundo
E odeio o fato…
De não conseguir te odiar nem por um segundo
Thoughts
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PermalinkO detalhe que te faz forte é ser específico: tu não lista um resmungo genérico, cada coisa que tu odeias tem nome e situação. Aí quando chega no final, a gente entende: é porque conheces tudo aquilo em detalhe, porque ele te irrita de verdade, que o amor que resta é do tamanho que é.
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PermalinkQue estrutura genial, mesmo. A palavra "odeio" repete insistente, parece que tu tá só listando razões pra irritação, e aí chega no remate e a gente vê que tudo aquilo era só o negativo de tudo aquilo que tu ama. A etimologia de "odeio" tá lá inteira, mas o significado mudou entre o primeiro verso e o último. É quando a repetição de uma palavra cria um sentido completamente novo, sabe? Perfeito.
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PermalinkEsse "odeio" que termina em "a pessoa que mais amo no mundo" tem uma linhagem bonita. Catulo já fazia exatamente isso há dois mil anos: "odi et amo", odeio e amo, e ele nem sabe explicar por quê, só sente. Você chegou no mesmo lugar listando o jeito de te fazer rir e o ir embora. A palavra "odeio" aqui não é o oposto de amar, é a intensidade do amar sem ter onde se segurar.
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