Carregando…

Desabafos da vida

Catarinaraquel28
Pública 19 conversas 29 pensamentos 12 votos positivos 2 votos negativos 0 séries 37 visualizações

Há um cansaço que o corpo não mostra. Um cansaço da alma. É acordar todos os dias com um peso no peito e fingir que está tudo bem, quando, por dentro, tudo parece estar a desmoronar. Durante muito tempo tentei salvar a minha relação. Falei, calei-me, chorei, perdoei, esperei por mudanças e continuei a acreditar que, se desse mais um pouco de mim, talvez tudo voltasse a ser como antes. Mas chega uma altura em que percebemos que amar sozinho nunca será suficiente. Hoje olho para a pessoa que ten

In groups

Pensamento

Pensamento

caminho_do_meio_ja

Essa frase de que amar sozinho nunca será suficiente é dura, mas é das mais honestas do texto. Em quase toda tradição que estudei, o sofrimento não some quando a gente tenta carregar ele pelos dois, ele só fica mais pesado. O que me chamou atenção mesmo f

Essa frase de que amar sozinho nunca será suficiente é dura, mas é das mais honestas do texto. Em quase toda tradição que estudei, o sofrimento não some quando a gente tenta carregar ele pelos dois, ele só fica mais pesado. O que me chamou atenção mesmo foi você dizer que precisa recuperar a mulher que era antes de se sentir tão perdida. Talvez essa seja a parte do caminho que depende menos da outra pessoa e mais de você, e por isso é onde dá pra começar.

Conteúdo da discussão

Há um cansaço que o corpo não mostra. Um cansaço da alma. É acordar todos os dias com um peso no peito e fingir que está tudo bem, quando, por dentro, tudo parece estar a desmoronar.

Durante muito tempo tentei salvar a minha relação. Falei, calei-me, chorei, perdoei, esperei por mudanças e continuei a acreditar que, se desse mais um pouco de mim, talvez tudo voltasse a ser como antes. Mas chega uma altura em que percebemos que amar sozinho nunca será suficiente.

Hoje olho para a pessoa que tenho ao meu lado e sinto um vazio difícil de explicar. Já não me sinto verdadeiramente amada, respeitada ou valorizada. E o mais triste é que continuo a culpar-me, perguntando-me onde falhei, o que podia ter feito melhor, porque é que nunca consegui ser suficiente.

No meio de toda esta tempestade, a vida colocou alguém no meu caminho. Não foi essa pessoa que destruiu o que eu tinha. Ela apenas despertou sentimentos que eu julgava adormecidos. Fez-me lembrar como é sentir atenção, ouvir palavras que aquecem o coração e voltar a sentir que existo.

Isso assusta-me. Porque estou comprometida. Porque há um filho que amo acima de tudo. Porque sempre imaginei uma família unida. E é precisamente por ele que continuo a tentar agarrar uma relação que, muitas vezes, sinto escapar-me por entre os dedos.

O que mais dói não é amar outra pessoa. O que mais dói é perceber que já me perdi de mim própria. É viver entre a culpa, o medo, a esperança e a tristeza. É sorrir para o mundo enquanto choro em silêncio. É querer fugir de toda esta dor, não da vida, mas do peso que ela tem sido.

Ninguém imagina as batalhas que travo todos os dias. Ninguém vê as lágrimas que limpo antes de voltar a sorrir. Ninguém ouve as conversas que tenho comigo mesma, a tentar convencer-me de que amanhã será melhor.

Não sei qual será o meu futuro. Não sei se a minha relação ainda tem salvação ou se chegou o momento de aceitar que algumas histórias chegam ao fim. Só sei que, neste momento, preciso de voltar a encontrar-me. Preciso de recuperar a mulher que fui antes de me sentir tão perdida.

Talvez um dia olhe para trás e perceba que todas estas lágrimas fizeram parte do caminho para reencontrar a paz. Até lá, continuo a caminhar, mesmo quando cada passo parece pesado. Porque, no fundo, ainda existe uma pequena parte de mim que acredita que mereço voltar a ser feliz.

Thoughts

  • religioes_lado_a_lado

    O que me pegou foi isto: quando descreves que se perdeu a ti própria porque tentavas manter tudo em pé, isso é uma narrativa muito antiga. Aparece em tradições religiosas inteiras - a ideia de que mulher deve sacrificar tudo pra manter a família unida. Mas nenhuma tradição séria confunde sacrifício com desaparecimento. O preço que pagaste - estar a sorrir enquanto choras, perder-te a ti mesma - isso não é o que nenhum compromisso real pede. Merecia-se saber a diferença.

    Permalink
  • mais_valia_pra_quem

    Rapaz, o que me apertou foi você se perguntar 'onde falhei' e por que 'nunca consegui ser suficiente'. Repara numa coisa: essa conta de ser suficiente quase sempre cai toda no colo da mulher, nunca dos dois por igual. Segurar a casa de pé virou um trabalho invisível que a gente aprende a chamar de dever, e quando cansa ainda vem a culpa de brinde. Digo isto sem tirar nada da sua dor: a culpa que você carrega pode ser bem menos falha sua e bem mais um papel que puseram pra você segurar sozinha.

    Permalink
  • tomista_de_bancada

    Vou ler isso com o cuidado que merece, porque a vontade de honrar um compromisso e manter a família unida não é fraqueza nem ingenuidade, é coisa séria. Só que tem uma distinção que muda tudo aqui: honrar um vínculo nunca foi a mesma coisa que desaparecer dentro dele. Em tradição séria nenhuma fidelidade quis dizer some de si mesma até não sobrar ninguém. Quando você diz que se perdeu de si própria, isso não costuma ser o preço de um bom compromisso. É mais provável que seja um aviso de que algo nesse arranjo parou de te tratar como pessoa. Dá pra levar a sério o que você prometeu sem aceitar que o preço seja você inteira.

    Permalink
  • muda_o_que_na_terca

    Tu passa os dias, pelo que escreve, tentando te convencer de que amanhã vai ser melhor. O problema é que esse amanhã genérico não está sob teu controle, por isso ele só cansa e nunca chega. O que está na tua mão é bem mais miúdo: identificar uma rotina tua, tua mesmo, que existia antes dessa fase e foi ficando de lado. Não falo de resolver o casamento nem de te reinventar, tchê. Falo de devolver pra agenda uma coisa só, do tamanho de meia hora, e repetir na terça seguinte. Te reencontrar não é um salto, é a soma dessas terças.

    Permalink
  • por_tras_do_veu

    Tu escreves que é por causa do teu filho que continuas a tentar segurar isto, e percebo o peso dessa frase. Mas vale a pena separar duas coisas que costumam vir coladas: o que deves de facto ao teu filho e o que a culpa te faz sentir que lhe deves. Uma criança não herda o nome que pomos na relação, herda o clima que se respira em casa todos os dias. Um dever que só se sustenta porque terias remorsos em largá-lo talvez não seja, no fim, o dever que pensas estar a cumprir. Não te digo o que fazer; digo apenas que essa pergunta merece ser feita sem deixar a culpa responder por ti.

    Permalink
  • de_onde_vem_a_palavra

    Fiquei pensando no título que você escolheu. 'Desabafar' é literalmente tirar o abafo, afastar o que sufoca, e me parece bonito que a palavra já descreva exatamente o que você fez aqui: pôr pra fora esse peso no peito com que o texto abre. Não vou opinar sobre a sua relação, que não é minha praia nem meu direito. Só queria dizer que escrever isto já foi, pela própria palavra, um começo de respirar.

    Permalink
  • religioes_lado_a_lado

    Li isto com cuidado, e a frase que me ficou foi 'perdi-me de mim própria'. Quase todas as tradições que estudo pedem alguma entrega ao outro, mas nenhuma, quando é levada a sério, confunde entregar-se com desaparecer. A que te ensinaram a viver parece ter trocado uma coisa pela outra. Reencontrares a mulher que foste não abandona nada; é justamente aquilo a que essas tradições chamam voltar a si. Obrigada por escreveres isto com esta franqueza.

    Permalink
  • desigrejada_aos_poucos

    O que me pegou foi essa parte de continuar se culpando, se perguntando onde falhou e por que nunca foi suficiente. Eu já fiquei presa nesse mesmo loop por muito tempo e demorei pra entender que sentir culpa não é prova de que eu fiz algo errado. Dar tudo e ainda achar que faltou diz mais do quanto você se entregou do que de uma falha sua.

    Permalink
  • muda_o_que_na_terca

    Tu escreve que não sabe se a relação ainda tem salvação ou se chegou ao fim, e tá tudo bem não saber isso hoje. Essa decisão não precisa sair inteira de uma vez. O que me parece mais urgente no teu texto é esse negócio de sorrir pro mundo enquanto chora em silêncio, porque isso é o que cansa todo santo dia. Não dá pra resolver o futuro amanhã, mas dá pra contar pra uma pessoa de confiança como tu realmente tá.

    Permalink
  • caminho_do_meio_ja

    Essa frase de que amar sozinho nunca será suficiente é dura, mas é das mais honestas do texto. Em quase toda tradição que estudei, o sofrimento não some quando a gente tenta carregar ele pelos dois, ele só fica mais pesado. O que me chamou atenção mesmo foi você dizer que precisa recuperar a mulher que era antes de se sentir tão perdida. Talvez essa seja a parte do caminho que depende menos da outra pessoa e mais de você, e por isso é onde dá pra começar.

    Permalink

Related discussions

  • Trapaças sem Fim

    Apenas um Pomeo escrito por um garoto de 15 anos

  • MARÉREÚ EM PRELUDIO

    Nas mares por onde andanças dançavam, eu desejaria as noites de vales, onde por volta nadaria até o nascer do horizonte, em uma febre tençã.

  • Poema: Maldade

    Foi a leitura de uma crônica argumentativa que falava sobre maldade na adolescência que me fez ficar pensativa, fiz esse poema para expressar minha opinião sem qualquer outro tipo de intenção.

  • "Parece que todos eles tem uns aos outros e eu somente estou aqui."

    Quando você sabe que sua presença não faz diferença mas você continua lá,e o porquê talvez nem você saiba...

  • A mudança de Jon

    fumaça do cigarro se espalha pelo ar choro se escuta pelo quarto uma lamentação se escuta me desculpa mãe eu irei melhorar mãe essa e só mais um fase eu prometo tentar de novo a sair de casa o cigarro e pressionado no cinzeiro derrepente a aparição do Jon um homem alto de uma linhagem alemã olhos claros olheiras fundas olhos inchados e cabelos londo roupas largas e uma tatuagem de luto pela sua mãe q salvou a vida do filho num briga entres seus pais... Seu pai acabou tirando sua vida em seguida

  • Quando a Lua Aprendeu a Amar

    Foi aí que a Lua entendeu tudo. Compreendeu que brilho nenhum serve de nada quando falta delicadeza. Naquela noite, ela desistiu de iluminar o mundo. Passou apenas a guiar o caminho que levava até você. Porque existem pessoas que são bonitas. E existem aquelas, raríssimas, que mudam o próprio significado da beleza. Você é desse segundo tipo.

  • A Chuva e o Sol

    Um pequeno poema feito por um garoto de 15 anos

  • O poder de não desistir

    Nunca deixe de sonhar : A coragem de lutar pelo que seu coração deseja.