MARÉREÚ
Onda onde anda
essa fria tristeza!
Onde falar dela
e dá-lhe firmeza,
aonde ela se cala,
onde se faz queixa;
anda essa profunda,
nas marés do réu
onde o triste céu,
anda nas andanças,
afoga-me; Mas deixa,
vou me fazer de gueixa:
andarei nas más tenças,
com essa tristeza,
na noite de danças.
Essa postura azia,
mas não vem pagar
com essa fantasia
como vivia a tragar.
Volto a essas ondas,
pular as sete: variar.
Vê se a sorte afaga,
vê se nadar apaga,
vê se vou reformar
o barco quebrado
que venho a navegar,
vagar nessa onda,
aguar e me alagar.
Nas palafitas ancorar
para acalmar o viver.
Vou nadar ao marejar
e almejar o amanhecer;
vou nascer nesse viajar,
ao pôr do sol padecer;
quero viver no arejar
e clarejar o meu poder
sobre o ido naufragar,
por já ter vindo a viver.
Voltarei a repensar,
calejar o embarcar,
varando o varejar
se der, me lemejar.
Voltarei a repensar,
vou mapear o mundo
para eu me encontrar
E emergir do fundo.
Sendo perigosas vias,
pra parar de desviar
meu barco das beiras,
evitando me afogar
onde o sol termina,
enviando mágoas
donde a mente pisa,
evitando a tristeza
nesses lugares,
nas noites, nos vales,
onde se faz firmeza.