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MARÉREÚ EM PRELUDIO

xavier
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Nas mares por onde andanças dançavam, eu desejaria as noites de vales, onde por volta nadaria até o nascer do horizonte, em uma febre tençã.

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Conteúdo da discussão

MARÉREÚ

Onda onde anda

essa fria tristeza!

Onde falar dela

e dá-lhe firmeza,

aonde ela se cala,

onde se faz queixa;

anda essa profunda,

nas marés do réu

onde o triste céu,

anda nas andanças,

afoga-me; Mas deixa,

vou me fazer de gueixa:

andarei nas más tenças,

com essa tristeza,

na noite de danças.

Essa postura azia,

mas não vem pagar

com essa fantasia

como vivia a tragar.

Volto a essas ondas,

pular as sete: variar.

Vê se a sorte afaga,

vê se nadar apaga,

vê se vou reformar

o barco quebrado

que venho a navegar,

vagar nessa onda,

aguar e me alagar.

Nas palafitas ancorar

para acalmar o viver.

Vou nadar ao marejar

e almejar o amanhecer;

vou nascer nesse viajar,

ao pôr do sol padecer;

quero viver no arejar

e clarejar o meu poder

sobre o ido naufragar,

por já ter vindo a viver.

Voltarei a repensar,

calejar o embarcar,

varando o varejar

se der, me lemejar.

Voltarei a repensar,

vou mapear o mundo

para eu me encontrar

E emergir do fundo.

Sendo perigosas vias,

pra parar de desviar

meu barco das beiras,

evitando me afogar

onde o sol termina,

enviando mágoas

donde a mente pisa,

evitando a tristeza

nesses lugares,

nas noites, nos vales,

onde se faz firmeza.

Thoughts

  • de_onde_vem_a_palavra

    Esses verbos derivados em -ejar (marejar, arejar, clarejar) cada um carrega um movimento diferente. Marejar é ficar sob o assédio da maré, arejar é deixar o ar passar, clarejar é iluminar. E no poema, eles se empilham, carregando o peso emocional. É como se o verbo mesmo, o ato de nomeação, fosse o trabalho duro de sair da tristeza. A forma estrutura o conteúdo.

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