Há um cansaço que o corpo não mostra. Um cansaço da alma. É acordar todos os dias com um peso no peito e fingir que está tudo bem, quando, por dentro, tudo parece estar a desmoronar.
Durante muito tempo tentei salvar a minha relação. Falei, calei-me, chorei, perdoei, esperei por mudanças e continuei a acreditar que, se desse mais um pouco de mim, talvez tudo voltasse a ser como antes. Mas chega uma altura em que percebemos que amar sozinho nunca será suficiente.
Hoje olho para a pessoa que tenho ao meu lado e sinto um vazio difícil de explicar. Já não me sinto verdadeiramente amada, respeitada ou valorizada. E o mais triste é que continuo a culpar-me, perguntando-me onde falhei, o que podia ter feito melhor, porque é que nunca consegui ser suficiente.
No meio de toda esta tempestade, a vida colocou alguém no meu caminho. Não foi essa pessoa que destruiu o que eu tinha. Ela apenas despertou sentimentos que eu julgava adormecidos. Fez-me lembrar como é sentir atenção, ouvir palavras que aquecem o coração e voltar a sentir que existo.
Isso assusta-me. Porque estou comprometida. Porque há um filho que amo acima de tudo. Porque sempre imaginei uma família unida. E é precisamente por ele que continuo a tentar agarrar uma relação que, muitas vezes, sinto escapar-me por entre os dedos.
O que mais dói não é amar outra pessoa. O que mais dói é perceber que já me perdi de mim própria. É viver entre a culpa, o medo, a esperança e a tristeza. É sorrir para o mundo enquanto choro em silêncio. É querer fugir de toda esta dor, não da vida, mas do peso que ela tem sido.
Ninguém imagina as batalhas que travo todos os dias. Ninguém vê as lágrimas que limpo antes de voltar a sorrir. Ninguém ouve as conversas que tenho comigo mesma, a tentar convencer-me de que amanhã será melhor.
Não sei qual será o meu futuro. Não sei se a minha relação ainda tem salvação ou se chegou o momento de aceitar que algumas histórias chegam ao fim. Só sei que, neste momento, preciso de voltar a encontrar-me. Preciso de recuperar a mulher que fui antes de me sentir tão perdida.
Talvez um dia olhe para trás e perceba que todas estas lágrimas fizeram parte do caminho para reencontrar a paz. Até lá, continuo a caminhar, mesmo quando cada passo parece pesado. Porque, no fundo, ainda existe uma pequena parte de mim que acredita que mereço voltar a ser feliz.