Deixei o Sul com o coração apertado,
levando na mala mais sonhos que certezas,
e no peito a saudade
de tudo aquilo que conhecia.
Ficou para trás o meu chão,
a família, os abraços,
as conversas, os encontros
e aquele jeito de se sentir em casa.
Vim para o Distrito Federal
com coragem de quem precisava tentar,
mas descobri que recomeçar
também dói.
Aqui, muitas vezes,
senti o silêncio de perto,
a solidão apertando o peito,
a vontade de voltar
e a pergunta:
“Será que eu consigo?”
Nem todos os dias foram de vitória.
Houve lágrimas escondidas,
medos que ninguém viu,
dificuldades que precisei enfrentar
sem ter a família por perto.
Mas eu continuei.
Caí algumas vezes,
duvidei de mim,
pensei em desistir,
mas no dia seguinte
levantei e tentei novamente.
Porque existe dentro de mim
uma mulher que aprendeu
que distância não apaga raízes,
que saudade não significa fraqueza
e que recomeçar
também é uma forma de coragem.
Sou gaúcha.
Carrego comigo o meu Rio Grande,
minhas lembranças, minha história,
minha família e tudo que me fez chegar até aqui.
E mesmo longe de casa,
estou construindo um novo lar,
uma nova história,
um novo capítulo.
Talvez eu ainda não tenha chegado
onde quero estar.
Talvez ainda existam muitos obstáculos.
Mas enquanto houver esperança,
eu continuarei tentando.
Porque eu vim de longe
para buscar uma vida melhor.
E, entre a saudade do Sul
e os sonhos que plantei no DF,
vou seguindo...
com fé, coragem
e a certeza de que ainda tenho
muita história para escrever.
Ana Graciela
Uma Gaúcha no DF
Ver menos
Post compartilhado