Uma vez, enquanto andava pisando na areia da praia, pensativa sobre como é a vida, uma brisa fria batia de leve em meu rosto molhado de choro. Era um desabafo quase silencioso, interrompido apenas por um soluço fino, comprimido pela falta de ar.
Ah, minha deusa do amor, o que foi que fiz para você?
Ela não me ouviria mesmo, nem em um milhão de dias de choro, pois não era sua obrigação. Talvez eu mereça tanta angústia e dor. Talvez, em outra vida, eu tenha sido tão ruim que seria impossível salvar minha alma condenada. Talvez ela me conhecesse. Será que, envolta em seus lençóis de seda e no perfume de rosas, ela me olhava de longe, vendo diante de si um rosto conhecido? Por muito tempo, por eras e vidas passadas, talvez ela soubesse quem eu sou e quem sempre fui: isto aqui. Frágil, inconsequente e doente de dor e de amor.
É meu destino caminhar por corações tão turvos e assombrosos quanto o meu.