Após a análise dos dados, dentro das escolas participantes da pesquisa e pela exposição da opinião dos alunos e professores do ensino médio na rede pública de ensino da zona leste de Joinville com relação às afirmações feitas, podemos dizer que as aulas de educação física no ensino médio estão fugindo de tudo aquilo que se é pregado durante a formação do profissional, durante seu próprio juramento e vai contra até mesmo alguns princípios éticos do profissional.
Quando 76,6% dos alunos explanam que ao menos 50% das aulas são livres e 75% dos professores assumem essa realidade, nos perguntamos, onde está o zelo do profissional em prol da saúde e da educação? E quando 60,9% dos alunos concordam que as aulas de educação física são momentos de lazer e não aprendizagem, ao mesmo tempo que 75% dos professores também acreditam nessa afirmação? E quando os alunos discordam que o professor de educação física trabalha modalidades diversas, ao mesmo tempo que metade dos professores também “assumem” esse fato ao se manter “em cima do muro” diante da afirmação, onde fica a competência? Onde estão a responsabilidade social, a valorização da identidade profissional, a prestação do melhor serviço, entre outros incisos e artigos previstos no Código de Ética do Profissional de Educação Física pelo Conselho Federal de Educação Física? Onde está a supervisão que deixa que tudo isso aconteça de forma natural? Por que a maioria dos alunos e professores dizem que a escola possui material e infraestrutura suficientes para uma boa aula de educação física e os professores não a fazem? Ressalto que durante a aplicação do questionário, 2 professores se negaram a respondê-lo após realizar a leitura do mesmo, aparentando uma certa “intimidação”.
A crítica não é apenas ao profissional da área, pois, se as aulas são livres, a equipe multidisciplinar da escola tem função de supervisionar e orientar o trabalho do profissional independente das condições, cobrando um plano de aula, e um plano que principalmente seja capaz de ser seguido, cabe também a família identificar se os alunos estão de fato aprendendo durante as aulas ou se estão apenas “matando tempo”, assim como garantir que a forma que estes estão frequentando a escola possibilita ou não o trabalho de disciplinas específicas, mas a maior crítica é sim ao profissional da área, pois cabe a ele a valorização da sua identidade profissional, e consequentemente, a valorização de toda uma classe.
Com isso, concluiu-se que, após uma breve fundamentação teórica, a educação física possui uma gama de possibilidades e forte influência no que diz respeito à formação integral do cidadão, em diferentes aspectos, moldando o sujeito para a vida social e que através de uma educação física de qualidade pode-se reduzir as barreiras geradoras de vários problemas sociais da atualidade, assim como, após a análise dos dados coletados, concluiu-se que o professor de educação física não utiliza de variadas metodologias de ensino para a aplicação das aulas, além de que ao menos metade de suas aulas não são ministradas, contam apenas com a imagem do professor presente, mas não atuante, com relação à infraestrutura e materiais disponíveis para a aula de educação física, na visão dos alunos e professores aparentemente a escola possui condições boas para que o professor realize seu trabalho, consequentemente tornando a realidade da educação física escolar no ensino médio na zona leste de Joinville é precária, principalmente no que diz respeito a atuação do professor e supervisão do restante da equipe escolar sobre a disciplina, e no que diz respeito a participação dos alunos, o que pode-se esperar destes a partir do momento em que o profissional não participa? Acredito que nada além de o fato que a maioria frequenta as aulas sem roupas apropriadas para a prática de atividades físicas.