Comida nunca foi apenas comida.
É memória servida à mesa, é cheiro que nos leva para algum lugar, é uma receita que atravessou gerações e continua contando histórias mesmo quando ninguém mais fala sobre elas.
Há pratos que lembram infância. Outros lembram viagens, pessoas, domingos em família, conversas demoradas e momentos que pareciam simples na época, mas que hoje percebemos que eram especiais.
Talvez seja por isso que algumas comidas tenham um sabor diferente. Não é apenas o tempero. É tudo aquilo que sentimos enquanto comemos.
Um café tomado sem pressa pode ser mais importante do que um jantar sofisticado. Um pão quente dividido com alguém pode ter mais significado do que uma mesa cheia de luxo. E, às vezes, aquela comida simples feita em casa consegue despertar uma sensação que nenhum restaurante consegue reproduzir.
Comer também é uma forma de cuidar. De nós mesmos e dos outros.
Existe carinho em perguntar “você já comeu?”. Existe afeto em preparar o prato favorito de alguém. Existe amor naquele cuidado quase invisível de lembrar exatamente como uma pessoa gosta do café, da carne, do arroz ou da sobremesa.
No fim, talvez a gente não se lembre de todos os pratos que comeu ao longo da vida. Mas certamente vai se lembrar de algumas mesas.
Daquelas em que rimos até doer a barriga. Daquelas em que alguém faltava e fazia falta. Daquelas em que conversas importantes aconteceram. E principalmente daquelas em que, por alguns minutos, a vida parecia estar exatamente no lugar certo.
Porque comida alimenta o corpo.
Mas quando existe história, companhia e afeto à mesa, ela também alimenta a memória.