Céu, chuva
Meu café
Meu PC
Nada tecnologia
Sou CD
RAM, tanta repetição
Algo meu
Minha rede, minha vida
Meu testemunho dia
Ninguém sabe
Duplicidade que vivo
Porque muitos não
Torcem por mim
Não posso dizer dores
Reclamar das tristezas
Mas precioso
Sempre ser sabiá
Sem sabedoria
Universo conspira
Com conselhos errados
Nada se aprende
Se leva pra vida
Como lição
Amores são raros
Hoje, quanto rezo
Nunca fui amada
Porque não nasci do ouro
Ou prata, mas como carvão
Sem rosto
Sem beleza
Nasci com desprezo
Com cuspe, meu inimigo
Sou rejeição
Mas ser testemunho
Saber que mundo doente
Nem todos gostam de ouvir
História
Mas sabem julgar
Sabem falar
Mas jamais ouvir
Sabem dizer de fé
Não, não percebem sua casa está doente
Só cuidam da vida alheia
Curtida ou comentário
Tamanho da casa
Ou bolo bonito
Apenas bolo do desastre
Muitos dizem que são felizes
Mas, no fundo, todos
Sentem-se sós
Eu tenho sorte
Dizer: fui ao hospício
Pra compreender
Que humano
Doente emocional
Que sinal
Dor de ser pobre
Ou rico
Somos todos de geração
De câncer...
Ana Cristina Poronhak de Carvalho