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Carta para Larissa Zang - a presença que transforma qualquer convite em história e qualquer lugar em casa.

Tatianeturcatti
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Nosso primeiro contato aconteceu em uma viagem ao Rio de Janeiro. Uma viagem marcada por descontração, algumas furadas e aquelas pequenas confusões que, na hora, parecem apenas fazer parte do…

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Lê 'você permanece' e mexe. Quando a gente perde, a gente entende melhor quem ficou.

Lê 'você permanece' e mexe. Quando a gente perde, a gente entende melhor quem ficou.

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Nosso primeiro contato aconteceu em uma viagem ao Rio de Janeiro. Uma viagem marcada por descontração, algumas furadas e aquelas pequenas confusões que, na hora, parecem apenas fazer parte do roteiro — mas que, depois, a memória transforma em história.

O curioso é que eu não consigo dizer exatamente quando você deixou de ser alguém que eu conheci e passou a ser alguém que ficou.

Talvez tenha sido aos poucos.

Talvez amizade verdadeira seja justamente isso: não tem uma data de início. Quando percebemos, a pessoa já ocupou um espaço que não estava anunciado, não pediu licença e, de algum modo, parece ter estado ali muito antes de sabermos.

Hoje, você é uma das pessoas com quem eu falo todos os dias, mesmo quando a geografia insiste em colocar quilômetros entre nós.

E talvez a distância seja uma das formas mais honestas de descobrir quem permanece.

Você permanece.

É a pessoa que nunca fica sem convite.

Convite para dormir na minha casa.
Para ir treinar.
Para o almoço de domingo.
Para o sítio.
Para o cinema, principalmente quando tem algum lançamento que precisamos assistir.
Para fazer compras no mercado, porque aparentemente até supermercado pode virar programa.
Para sair à noite.
E, oficialmente, para o Mundial de Surf em Saquarema — porque algumas tradições simplesmente acontecem antes mesmo de serem declaradas como tradição.

O mais bonito é que quase todos esses convites acabam virando histórias.

E algumas, convenhamos, viram histórias justamente porque deram errado.

Quantas furadas nós já vivemos juntas?

Talvez seja essa uma das melhores partes de ter alguém por perto: encontrar graça no que não saiu como planejado. Porque quando existe companhia certa, até o imprevisto ganha outro nome. Deixa de ser problema e vira lembrança.

Você também é a mensagem certa de toda segunda-feira.

Aquela que chega sem grandes discursos, apenas para dizer: “boa semana”.

E parece pouco.

Mas não é.

Há pessoas que dizem muito quando falam. E há pessoas que dizem muito simplesmente porque lembram.

Lembrar de alguém numa segunda-feira é uma forma pequena e silenciosa de dizer: eu pensei em você antes de a semana começar.

E talvez carinho seja justamente isso: uma presença que não precisa fazer barulho para ser percebida.

Existe outra coisa que eu gosto muito em você.

Você conhece partes minhas que eu mesma nem sempre gosto de conhecer.

Há coisas que acontecem em mim das quais não tenho orgulho. Pensamentos, inseguranças, reações, versões minhas que eu poderia esconder se quisesse parecer melhor.

Mas com você eu não preciso parecer melhor.

Posso apenas ser.

E isso é raro.

Porque ser verdadeiramente vista talvez seja uma das experiências mais íntimas que existem. Não é ser admirada. Não é ser elogiada. É poder mostrar aquilo que não está bonito e ainda assim encontrar, do outro lado, alguém que não transforma sua fragilidade em julgamento.

Você escuta.

E permanece.

Talvez por isso eu pense que algumas amizades não chegam para ocupar espaço. Elas chegam para oferecer descanso.

Você é esse descanso.

É coração grande sem fazer propaganda do tamanho que tem.

É cuidado sem cerimônia.

É presença sem cobrança.

É dessas pessoas que fazem a vida parecer um pouco menos pesada simplesmente porque estão nela.

E há uma coisa que eu gostaria que você soubesse:

algumas pessoas entram na nossa vida como companhia; outras se tornam parte do caminho.

Você se tornou caminho.

Não sei quantos lugares ainda vamos conhecer, quantos domingos ainda teremos, quantos filmes ruins vamos defender, quantos treinos vamos reclamar, quantas compras de mercado vão virar passeio, quantas noites ainda vão terminar em alguma história absurda que começará com “você lembra daquela vez...?”

Não sei.

Mas sei que quero continuar fazendo convites.

Porque, no fundo, talvez amizade seja isso: encontrar alguém para quem você deseja continuar dizendo vem comigo.

Não importa muito para onde.

Para um almoço.
Para uma viagem.
Para uma furada.
Para uma fase difícil.
Para uma comemoração.
Para um lugar que ainda nem existe no mapa.

Eu quero que você continue sendo esse convite aceito antes mesmo de saber o destino.

E se algum dia a vida nos levar para lugares muito diferentes, espero que a gente nunca precise explicar demais a distância.

Porque existem vínculos que não dependem de proximidade.

Eles simplesmente sabem voltar.

Larissa, obrigada por ser uma dessas pessoas que a vida não avisa que vai se tornar importante.

Você simplesmente aconteceu.

E algumas das melhores coisas que nos acontecem são justamente aquelas que não percebemos acontecendo.

Que a nossa amizade continue tendo esse jeito bonito de não precisar de grandes acontecimentos para existir. Que nunca nos faltem motivos para dizer “vem”. E, principalmente, que nunca nos falte coragem para continuar indo juntas — mesmo quando a gente ainda não sabe exatamente para onde.

Agora eu quero saber de você:

E você, qual foi o momento em que você percebeu que alguma amizade tinha deixado de ser acaso e virado casa?

Thoughts

  • Sergio_M

    Vinte e sete anos casado. A gente descobre com tempo quem permanece. As melhores coisas chegam sem avisar.

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  • cafeDeSegunda

    Mensagem de segunda sem pedir nada é ouro mesmo. Aqui a gente se ama mas mal conversa. Lê isso e sente falta de presença.

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  • Tania_R

    Vivo sozinha agora mas lendo isso lembrei que sozinha é diferente de sem ninguém. Saudade de ter gente que fica.

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  • EncontroDeQuinta

    Amizade sem cobranças e sem data de validade é luxo. Aqui a gente tem quatro amigas há nove anos, nenhuma briga que preste.

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  • rgomes85

    Catorze dias longe e a gente vê quem manda mensagem igual. Como ela e Larissa fizeram durar tudo esse tempo?

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  • mesapradois

    Lê 'você permanece' e mexe. Quando a gente perde, a gente entende melhor quem ficou.

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  • dezanosjuntos

    A parte de convite aceito sem saber o destino é exatamente a gente com o Ivan. Dez anos e isso aqui é a gente.

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  • denovonao

    Tipo, quando que a gente percebe mesmo? Porque tem gente que tá ali desde sempre e a gente nem vê até ver

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